Inflação Junina

Produtos juninos ficam 8% mais caros em Montes Claros

Vanessa Araújo*
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 23/06/2026 às 19:00.Atualizado em 23/06/2026 às 20:50.
Marcos Machado prepara comidas típicas em casa, e também frequenta as tradicionais barraquinhas do período junino (Márcia Vieira)
Marcos Machado prepara comidas típicas em casa, e também frequenta as tradicionais barraquinhas do período junino (Márcia Vieira)

Os produtos mais consumidos durante as festas juninas ficaram, em média, 8% mais caros em Montes Claros neste ano. O levantamento do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Moc), realizado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) mostra que itens tradicionais das comemorações registraram aumentos significativos em relação ao mesmo período de 2025, refletindo fatores como maior demanda, custos de transporte e distribuição, além de impactos climáticos sobre a produção agrícola. A metodologia da pesquisa consistiu na comparação, nos últimos 12 meses, da média de preços de 26 itens juninos e de um item relacionado a vestimentas e artigos de decoração mais consumidos para as festividades.

Entre os produtos que apresentaram alta estão a rapadura (11,25%), o amendoim (9,40%), a carne de sol (4,51%), o queijo curado (4,20%), a cachaça (4,12%), as especiarias (4,12%), a goma (4,12%), a farinha de mandioca (3,70%), o milho em espiga (1,02%) e o milho de canjica (0,80%). Por outro lado, alguns itens ficaram mais baratos, como os ovos (-14%), a costela bovina (-9,15%), o óleo de soja (-8,42%), o açúcar (-4,02%) e o milho de pipoca (-3,12%). Os maiores reajustes foram observados entre os hortifrutigranjeiros. A batata inglesa acumulou alta de 16% e a cebola, de 14%, influenciadas principalmente pelas condições climáticas registradas ao longo do último ano e pela redução da oferta em determinadas regiões produtoras.

De acordo com a coordenadora da pesquisa, a economista Vânia Villas Boas, a elevação dos preços foi impulsionada por um conjunto de fatores. Segundo ela, além das tradicionais festas de Santo Antônio, São João e São Pedro, eventos como a Copa do Mundo e o Dia dos Namorados contribuíram para aumentar a procura por diversos produtos neste período. A pesquisadora explica que a maior demanda por ingredientes utilizados na preparação de pratos típicos, como amendoim, coco ralado, leite condensado, canjica e carnes, somada ao aumento dos custos de transporte, armazenagem e distribuição, pressionou os preços para cima. Outro fator apontado foi a influência das condições climáticas em regiões produtoras do país, que afetaram a oferta de produtos agrícolas e reduziram a disponibilidade de alguns itens no mercado.

Apesar do aumento registrado em boa parte dos produtos, Vânia destaca que houve casos de redução de preços, especialmente entre itens beneficiados por melhores condições de safra e maior oferta. Ela ressalta ainda que as festas juninas continuam desempenhando papel importante na economia local, movimentando o comércio e gerando renda para pequenos produtores, ambulantes, confeiteiros, artesãos e prestadores de serviços.
 
CONSUMIDORES JÁ SENTEM IMPACTO
Quem foi às compras para preparar as tradicionais receitas juninas percebeu a diferença nos preços. O trabalhador da construção civil Marcos Machado afirma que notou aumento nos valores dos produtos típicos em comparação ao ano passado. “Comprei algumas coisas nesta semana e realmente houve aumento. A inflação acabou atingindo tudo no supermercado. Os preços estão mais altos em relação ao ano passado”, relata. Casado e pai de um bebê recém-nascido, ele conta que mantém a tradição de preparar pratos típicos em casa durante o período junino. Entre os favoritos da família estão receitas como canjica e vaca atolada. “Nesta época, o consumo desses produtos aumenta bastante”, afirma.

Responsável pela cozinha da casa, Marcos diz que prefere preparar parte das receitas por conta própria, mas também costuma recorrer às barracas e eventos juninos. Segundo ele, a praticidade acaba compensando o gasto extra. “A gente compra fora também. Mesmo percebendo que os preços aumentaram nas barraquinhas, existe a comodidade de não precisar preparar tudo e depois cuidar da limpeza em casa.” Apesar do impacto da inflação sobre os produtos típicos, ele afirma que continua participando das comemorações. “Eu gosto muito. Com o frio e as comidas típicas, a festa junina combina bastante.”

*Com colaboração de Márcia Vieira

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