Reconhecimento

Produtores do Norte de Minas se destacam no Mundial do Queijo 2026

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 27/04/2026 às 19:00.
O casal Sarah e Marcelo contou com a ajuda do Senar para aprimorar a produção e profissionalizar o negócio (arquivo pessoal)
O casal Sarah e Marcelo contou com a ajuda do Senar para aprimorar a produção e profissionalizar o negócio (arquivo pessoal)

Produtores do Norte de Minas foram premiados no Mundial do Queijo 2026, em São Paulo. O evento foi realizado entre 16 e 19 de abril, com uma programação, voltada para profissionais e consumidores finais. O evento é promovido desde 2019, e neste ano chegou à sua 4ª edição, reunindo especialistas, jurados internacionais e centenas de rótulos em disputa. O concurso avaliou critérios técnicos rigorosos, como textura, sabor, aroma e identidade regional, destacando produtos que aliam tradição e inovação.

Uma das produtoras premiadas foi Sarah Manuelly Maciel, da Queijaria Xodó. Para ela, a participação no Mundial marca um avanço na trajetória da produção. “Esse foi nosso terceiro concurso. No primeiro, em Araxá, fomos para aprender. Depois, em Blumenau, inscrevemos seis produtos e cinco foram premiados. Agora, em São Paulo, tivemos novos reconhecimentos”, relata.

Ela e o marido, Marcelo Caíque Cardoso, têm oito anos de atuação conjunta na produção rural, sendo cinco dedicados aos queijos. “Quando fiz o curso do Senar, entendi que a produção podia ir além do queijo fresco. Existe demanda por produtos artesanais e de qualidade, com maior valor agregado”, afirma.

A propriedade trabalha com derivados do leite, incluindo queijos, doces e iogurtes, e também mantém a produção leiteira. Atualmente, a queijaria emprega oito pessoas. “Atendemos a merenda escolar pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), supermercados da região da Serra Geral, empórios e revendedores. Os iogurtes vão mais para escolas; os queijos, para supermercados e vendedores ambulantes”, conta

Além dos resultados mais recentes, produtores de Porteirinha acumulam premiações em concursos estaduais, nacionais e internacionais, indicando uma produção estruturada e em expansão no Norte de Minas.

A instrutora do Senar e técnica de campo na cadeia de derivados lácteos, Luciana Godinho, acompanha esse processo há mais de 20 anos e relaciona os resultados à padronização e ao controle de qualidade. “O queijo cozido da dona Saúde é um grande diferencial na região. Já ganhou muitas medalhas e, onde é apresentado, chama atenção pelo padrão e pelo sabor. Dentro da linha de massa filada, é uma referência”, afirma.

Segundo ela, outros produtores seguem a mesma linha. “Tem os queijos da Luzia, da Eduarda e da queijaria da Dinda, todos com produtos consistentes. Isso mostra que não é um caso isolado.” Fora de Porteirinha, Catuti também aparece entre os premiados. “A Sarah e o Caíque já tinham conquistado cinco medalhas no ano passado e agora voltam a se destacar. É um trabalho contínuo”, avalia.

Luciana destaca que o avanço está ligado à assistência técnica. “O trabalho envolve controle de qualidade, melhoria de processos e regularização. São ciclos de atendimento com visitas mensais. Isso cria padrão e permite competir em concursos exigentes.”

De acordo com Sarah Manuelly, os próximos passos envolvem expansão com controle de qualidade. “Queremos aperfeiçoar os produtos para buscar novas medalhas e avançar no selo de inspeção para vender em todo o Brasil e até fora. Pensamos em crescer, mas sem perder o caráter artesanal”, diz.

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