Experiência de compra

Pequenos negócios apostam em atendimento personalizado para faturar mais

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 01/04/2026 às 19:00.
A fisioterapeuta e sexóloga Jara Gabrielle aposta no atendimento individualizado (Nathan Brasil)
A fisioterapeuta e sexóloga Jara Gabrielle aposta no atendimento individualizado (Nathan Brasil)

O atendimento personalizado tem ganhado espaço como estratégia entre pequenos empreendedores no Brasil. Em um cenário em que os pequenos negócios representam cerca de 99% das empresas do país, segundo o Sebrae, práticas como venda direta, atendimento sob demanda e oferta de experiências individuais têm sido utilizadas para atrair e fidelizar clientes.

Levantamentos do próprio Sebrae indicam que negócios que investem em relacionamento com o consumidor apresentam maior retenção de clientes e aumento no valor médio das vendas. A lógica é simples: quanto maior a proximidade, maior a confiança no processo de compra.

Essa dinâmica aparece na rotina de quem atua em nichos específicos. A empreendedora Jara Gabrielle, do segmento de produtos eróticos, estruturou o negócio a partir da demanda dos próprios atendimentos. “Entrei em 2018. Eu sou sexóloga, terapeuta tântrica e fisioterapeuta pélvica e eu precisava indicar produtos, mas queria indicar marcas boas e fornecedores confiáveis para os meus clientes. Como vi que era algo difícil de se encontrar, resolvi eu mesma vender”, afirma.

O que começou como extensão da atuação profissional passou a ser a principal atividade. “Foi buscando atender essas pessoas que precisavam de bons produtos e acessórios. Fui tomando gosto por todo o processo. Hoje não atuo mais na clínica, mas sigo com o sex shop e uso esse conhecimento para orientar minhas clientes”, explica.

A proposta envolve mais do que a venda. “Eu não vendo só produtos, vendo minha expertise, meu conhecimento e a garantia de que a cliente terá uma experiência. É isso que justifica o investimento”, diz. O caso ilustra um movimento mais amplo: pequenos negócios que apostam em atendimento direto e orientação tendem a consolidar relações com clientes e ampliar oportunidades de venda, mesmo sem operar em larga escala.

O modelo inclui um showroom com atendimento reservado e hora marcada. A escolha está relacionada ao perfil do público e ao tipo de produto. “Falar sobre sexualidade ainda é um tabu e a maioria não quer tratar disso em uma loja aberta. Aqui a cliente tem privacidade, atenção total e pode experimentar os produtos com segurança”, relata.

O setor em que ela atua acompanha mudanças no comportamento do consumidor. Estimativas indicam que o mercado erótico movimenta mais de R$ 2 bilhões por ano no Brasil, com crescimento associado à ampliação do consumo individual. “As pessoas estão mais conscientes da importância de investir no próprio prazer. Antes era focado no casal, hoje existe também uma busca individual”, observa.

Entre os clientes, a experiência de compra também tem impacto direto. Uma mulher de 52 anos, que preferiu não se identificar, conheceu os produtos durante um tratamento. “Eu não conseguia ter orgasmo e ela me indicou. No início achei estranho, fiquei resistente, mas depois que tive meu primeiro orgasmo com a orientação dela, não parei mais de experimentar”, relata. Segundo ela, a mudança foi além do consumo. “Hoje sou muito mais feliz. Mesmo depois que me separei, continuo usando. Passei a conhecer melhor meu corpo e até indico para amigas”, finaliza.

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