economia

Pequenos negócios aderem a inteligência artificial

Pesquisa do Sebrae Minas aponta que 56% dos empreendedores mineiros usam a tecnologia

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 20/08/2026 às 19:38.
Beto Santos, do Sebrae: “O melhor caminho é começar com uma tarefa simples" (arquivo pessoal)
Beto Santos, do Sebrae: “O melhor caminho é começar com uma tarefa simples" (arquivo pessoal)

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma ferramenta restrita às grandes empresas e começa a ocupar espaço na rotina dos pequenos negócios. Levantamento do Sebrae mostra que mais da metade dos empreendedores brasileiros já utiliza algum recurso de IA, movimento que também aparece em Minas Gerais: pesquisa realizada pelo Sebrae Minas em março deste ano aponta que 56% dos empreendedores mineiros usam a tecnologia em alguma área da empresa. 

O levantamento mineiro, no entanto, mostra que a adoção ainda ocorre em diferentes níveis. Enquanto 27,4% dos entrevistados fazem uso ocasional da IA e 17,6% utilizam a tecnologia com frequência, apenas 11,2% já a incorporaram de forma estratégica às operações. Outros 43,9% ainda não utilizam a ferramenta. Para Beto Santos, analista do Sebrae Minas, o caminho para quem está começando deve ser prático. “O melhor caminho é começar com uma tarefa simples, repetitiva e que consome tempo e usar a IA como assistente”, orienta.

Entre as possibilidades estão a criação de conteúdos para redes sociais, atendimento ao cliente, organização de documentos, elaboração de propostas, análise de vendas e despesas e produção de roteiros. Segundo Beto, marketing e conteúdo podem ser a porta de entrada mais simples, por exigirem baixo investimento e apresentarem ganhos rápidos de produtividade. O atendimento, especialmente por WhatsApp, também pode ser automatizado para responder dúvidas frequentes, fazer triagem e encaminhar casos mais complexos para um atendente humano.

Os dados do Sebrae Minas confirmam a predominância do marketing entre as aplicações. A produção de conteúdo para redes sociais e ações promocionais aparece em primeiro lugar, citada por 29,6% dos empreendedores, seguida por marketing e publicidade, com 27,4%. Mais da metade, 52,3%, pretende ampliar o uso da IA nos próximos 12 meses. 

Para Beto, porém, o uso da tecnologia não deve começar pela compra de várias ferramentas. Uma ferramenta de IA generativa já permite testar diferentes aplicações antes de investir em soluções específicas. A orientação é identificar uma tarefa recorrente que poderia ser feita mais rapidamente e experimentar a tecnologia a partir dela.

Outro ponto destacado pelo analista é que a adoção da IA deve vir acompanhada de critérios. Antes de incorporar uma ferramenta à rotina, o empreendedor precisa avaliar a qualidade das respostas, proteger informações da empresa e dos clientes e medir se o recurso, de fato, trouxe ganho de produtividade ou resultado para o negócio. 

A capacitação é outro ponto central. O Sebrae oferece cursos gratuitos que abordam desde os fundamentos da IA generativa e criação de comandos até aplicações em marketing, atendimento, produtividade e gestão. “O empreendedor não precisa aprender programação ou se tornar especialista em tecnologia: precisa aprender a identificar problemas, escolher aplicações adequadas, dar bons comandos à IA, validar as respostas e medir o resultado”, explica Beto.

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