
Atualmente, Minas Gerais reúne um contingente de aproximadamente 790 mil mulheres trabalhando no setor de comércio, o equivalente a 10% do total registrado no Brasil (7,9 milhões). É o que mostram dados de um estudo conduzido pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG). Em Montes Claros, o crescimento do empreendedorismo feminino tem ganhado destaque, refletindo uma mudança significativa no perfil econômico da cidade e abrindo novas perspectivas para mulheres que buscam autonomia financeira e realização profissional.
Segundo dados do Sebrae, o Brasil registrou, nos últimos dez anos, um crescimento de 27% do empreendedorismo feminino. Muitas empreendedoras começaram suas atividades em casa, especialmente durante períodos de instabilidade econômica, e hoje já colhem os frutos de uma gestão estruturada e da fidelização de clientes.
A confeiteira Mylena Brito, de 29 anos, é um desses exemplos. Ela conta que iniciou o negócio em 2019 com recursos limitados, mas com muita determinação. “Neste ano, entreguei minha primeira encomenda de bem-casados para um casamento onde comecei profissionalmente no ramo da confeitaria por incentivo de uma amiga que viu grande potencial em meu trabalho. Paralelo a este trabalho, levei outros produtos como bolo e roscas para a feirinha do bairro São José. No início, era só para complementar a renda, mas com o tempo fui conquistando clientes. Em 2024, tive que escolher qual caminho seguir e foi onde deixei de levar meus produtos para a feirinha e conheci a minha sócia Mariane Pereira, que é uma empreendedora incrível e oficializamos a empresa que leva o nome de Mylena Bem-casados. O maior desafio foi acreditar que daria certo”, relata.
Mylena avalia que o cenário, embora desafiador, é promissor. “As mulheres têm mostrado grande capacidade de gestão e inovação. Em Montes Claros, vemos cada vez mais negócios liderados por elas se destacando. O apoio por meio de capacitação e acesso a crédito é essencial para fortalecer ainda mais esse movimento”, explica.
“As tendências do mercado vão e vêm, mas o bem-casado é soberano. Ele é o equilíbrio perfeito: não é doce demais para enjoar nem simples demais para passar batido. A demanda é grande e é um doce que agrada a todos sem exceção porque tem gosto de celebração. Hoje temos uma agenda cheia com uma produção semanal de bem-casados para festas em geral”, diz.
As duas empreendedoras estão em fase de expansão para o segundo semestre de 2026, onde, além do bem-casado, a empresa passa a contar com doces finos, bolos e artigos personalizados para festas em geral.
Apesar do crescimento, os desafios ainda são muitos. A dificuldade de acesso a crédito, a dupla jornada, conciliando trabalho e responsabilidades domésticas, e a falta de incentivo inicial estão entre os principais obstáculos enfrentados por mulheres empreendedoras.
Além do impacto econômico, o empreendedorismo feminino também tem gerado transformações sociais importantes. Muitas mulheres relatam aumento da autoestima, independência financeira e melhoria na qualidade de vida de suas famílias.
