economia

Mineiros terão que pagar mais por energia

Reajuste na conta de luz vai se refletir em vários setores, pesando no bolso do consumidor

Hermano Chiodi*
Publicado em 22/06/2022 às 00:02.
Nesta quarta-feira, a Cemig vai interromper o fornecimento de energia em alguns bairros de Montes Claros para realizar manutenção na rede elétrica: veja os locais e horários em onorte.net. (marcelo camargo/agência brasil)

Nesta quarta-feira, a Cemig vai interromper o fornecimento de energia em alguns bairros de Montes Claros para realizar manutenção na rede elétrica: veja os locais e horários em onorte.net. (marcelo camargo/agência brasil)

A energia elétrica fica mais cara para os consumidores mineiros a partir desta quarta-feira (22) e vai provocar um aumento em cascata em vários setores. Para os consumidores residenciais, o reajuste autorizado foi de 5,22%. Já os consumidores da indústria, que recebem energia em alta tensão, terão que pagar 14,31% mais caro pela energia elétrica.

Para a economista Mafalda Valente, professora da Faculdade Promove, não tem como fugir dos efeitos do aumento. Segundo ela, se o consumidor não pagar pelo reajuste direto na conta de luz de casa, vai acabar pagando no preço dos produtos.

“No fim das contas, quem paga são os consumidores. A energia, assim como os combustíveis, tem impacto em toda a cadeia produtiva e um aumento na energia vai muito além do reajuste residencial; e bate direto no bolso dos consumidores”, avalia a professora.

O reajuste atinge os 8,8 milhões de clientes residenciais da companhia espalhados em 744 municípios mineiros. De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o reajuste poderia ser ainda maior e já considera a devolução de créditos tributários, recolhidos a mais pelas prestadoras.

Para a Cemig, os referidos créditos totalizam R$ 2,81 bilhões e resultam numa redução de 15,20% no índice de reajuste tarifário da distribuidora. 

Em nota, a Cemig informou que nos dois últimos anos não reajustou as tarifas e alegou que apenas uma pequena parcela do valor é lucro da companhia. A maior parte do que o consumidor paga, segundo a empresa, são impostos cobrados sobre a energia elétrica.
 
CUSTO 
“Do valor cobrado na tarifa, apenas 23,1% ficam na Cemig Distribuição e se destinam a remunerar o investimento, cobrir a depreciação dos ativos e outros custos. Os demais 76,9% são utilizados para cobrir encargos setoriais (16,1%), tributos pagos aos governos federal e estadual (27,3%), energia comprada (26%), encargos de transmissão (7%) e receitas irrecuperáveis (0,5%)”, informa a empresa.

BANDEIRAS
Além da autorização do reajuste na tarifa da Cemig, a Aneel aprovou nesta terça-feira (21) o novo reajuste das bandeiras tarifárias, que incidem na conta de luz em caso de escassez hídrica ou qualquer fator que aumente o custo de produção de eletricidade.

Os aumentos irão de 3,2% a 63,7%, dependendo do tipo da bandeira. Os aumentos não encarecerão as contas de luz neste momento porque, desde abril, a bandeira tarifária está verde – quando não ocorre cobrança adicional.

Os valores entrarão em vigor em 1º de julho e serão revisados em meados de 2023. Segundo a Aneel, a alta reflete a inflação e o maior custo com as usinas termelétricas em 2022, acionadas em momentos de crise hídrica.


*Com Agência Brasil

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