
Principal polo econômico do Norte de Minas e uma das principais economias do interior do Estado, Montes Claros chega aos 169 anos impulsionada pela indústria, comércio, serviços e empreendedorismo. Com Produto Interno Bruto (PIB) superior a R$ 13,3 bilhões em 2023, PIB per capita de R$ 32.170,33, mais de 59 mil empresas ativas e 113 mil empregos formais, a cidade exerce influência sobre dezenas de municípios da região.
A transformação da economia local começou na década de 1970, quando os incentivos da Sudene estimularam a instalação de indústrias no Norte de Minas. Nas últimas décadas, o município diversificou sua matriz produtiva e consolidou um dos principais polos farmacêuticos do país. Para o presidente da Regional Norte da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), Adauto Marques, esse movimento foi fortalecido por estudos que identificaram o potencial da biotecnologia como vetor de desenvolvimento.
Segundo Marques, o desafio agora é criar condições para sustentar essa expansão. “São fundamentais investimentos em infraestrutura logística, especialmente na melhoria das rodovias, na ampliação da malha ferroviária e no fortalecimento do transporte de cargas pelo aeroporto local”, avalia. Para ele, essas ações são estratégicas para atender às demandas das indústrias que distribuem e exportam seus produtos para todo o Brasil e para o mercado internacional.
O ambiente de negócios também acompanha essa evolução. Mais da metade das empresas instaladas em Montes Claros é formada por microempreendedores individuais (MEIs), enquanto o comércio varejista concentra o maior número de estabelecimentos, evidenciando a força do empreendedorismo e do setor de serviços.
Para o presidente da CDL, Ernandes “Batata”, um dos diferenciais do município é a capacidade de atrair consumidores de dezenas de cidades vizinhas. Segundo ele, Montes Claros reúne grandes redes nacionais, centros de compras e um comércio de rua que permanece competitivo, consolidando sua posição como principal polo varejista do Norte de Minas. “Acredito que este seja o momento de olharmos além das nossas fronteiras. Montes Claros se tornou uma vitrine regional. Quem souber aproveitar esse novo cenário poderá fortalecer sua atuação local e também expandir seus negócios para outros mercados”, afirma.
A necessidade de ampliar os investimentos em infraestrutura também é defendida pelo presidente da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Montes Claros (ACI), Dennison Caldeira. “É essencial fortalecer o ecossistema empresarial, apoiar quem empreende e criar condições para que as empresas cresçam e se tornem mais competitivas”, ressalta. Ele acredita, ainda, que o maior legado econômico para as próximas gerações será a construção de uma economia cada vez mais diversificada, inovadora e sustentável. “Uma cidade capaz de gerar oportunidades para seus jovens, reter talentos e atrair novos empreendedores”, completa.
Embora os indicadores sejam positivos, especialistas concordam que a continuidade desse desempenho dependerá da capacidade de ampliar a infraestrutura, investir em inovação e qualificar trabalhadores para acompanhar a expansão da atividade econômica. O economista Aroldo Rodrigues afirma que o principal desafio é manter uma estrutura competitiva no longo prazo.
Na avaliação do economista, além de investir em logística e qualificação profissional, Montes Claros precisa aproveitar vantagens já consolidadas, como sua localização estratégica e o polo educacional. Ele também destaca um aspecto que diferencia o município de outros centros industriais. “Enquanto regiões como o Vale do Aço convivem com atividades de maior impacto ambiental, o parque industrial de Montes Claros é formado, em sua maioria, por empresas de baixo impacto, o que representa uma vantagem competitiva para atrair novos investimentos”.
