
A inflação em Montes Claros desacelerou em julho e registrou o menor índice de 2026. O Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc), calculado pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor do Departamento de Economia da Unimontes, ficou em 0,26%, uma redução significativa em relação aos 0,82% registrados em junho. Com o resultado, a inflação acumulada no município nos sete primeiros meses do ano chegou a 4,09%.
Segundo a economista Vânia Silva Vilas Bôas, responsável pela análise dos dados, o resultado traz uma sinalização positiva, principalmente para as famílias que dependem do salário mínimo. “O consumidor de Montes Claros agora em julho teve uma notícia positiva ,principalmente quando nós olhamos para o custo da alimentação. O índice de preço ao consumidor de Montes Claros registrou 0,26% em julho. Uma desaceleração significativa quando olhamos junho, onde o índice havia registrado 0,82 pontos percentuais”, explica.
O comportamento da alimentação e dos combustíveis foi determinante para o resultado. O grupo Alimentação apresentou alta de 0,60%, enquanto Transporte e Comunicação teve queda de 0,60%, puxada principalmente pela redução dos combustíveis. O etanol caiu 4,93%, o diesel 1,90% e a gasolina 0,90%. Para Vânia, a redução dos combustíveis pode ter efeitos além do abastecimento dos veículos. “O combustível interfere no custo do transporte de mercadorias, no custo de serviços e, consequentemente, pode influenciar outros preços da economia”, afirma.
A principal notícia para o orçamento das famílias, porém, veio da cesta básica. O conjunto de 13 produtos essenciais registrou queda de 8,29%, a maior redução do ano. O valor passou de R$ 628,96, em junho, para R$ 576,83, em julho, representando uma economia de R$ 52,13 para o consumidor.
“Essa redução tem efeito muito importante para quem recebe o salário mínimo”, destaca a economista. Considerando o rendimento de R$ 1.621, a parcela da renda destinada à compra da cesta caiu de 38,80% para 35,58%.
Entre os produtos que mais contribuíram para a queda da cesta estão a batata inglesa, com redução de 44,01%, e o tomate, que caiu 35,58%. Também tiveram redução o feijão (-5,84%), café (-5,09%), açúcar (-1,30%), óleo (-1,38%) e carne bovina (-0,52%). “No caso da batata e do tomate essa redução está relacionada principalmente às condições de oferta. Tivemos uma maior safra, aumento da produtividade e condições climáticas que favoreceram a maior disponibilidade desses produtos no mercado”, explica Vânia.
O resultado de julho, portanto, representa uma melhora importante no poder de compra, mas ainda não significa queda generalizada dos preços.
