Economia

Inflação alta, lojas vazias

Comerciantes de Montes Claros sofrem com aumento dos custos e baixo movimento

Larissa Durães
Publicado em 01/08/2022 às 23:04.
Pesquisa realizada pelo Sebrae Minas mostra que quase a metade dos pequenos negócios foi muito impactada pelo aumento dos custos produtivos nos últimos meses. (LARISSA DURÃES)

Pesquisa realizada pelo Sebrae Minas mostra que quase a metade dos pequenos negócios foi muito impactada pelo aumento dos custos produtivos nos últimos meses. (LARISSA DURÃES)

Na última pesquisa realizada pelo Sebrae Minas, que ouviu 746 empresários e gestores de pequenos negócios, ficou explicito que quase a metade dos pequenos negócios (47,4%) foi muito impactada pelo aumento dos custos produtivos nos últimos meses. Os microempreendedores individuais (MEI) foram os que mais sentiram os efeitos da alta dos preços dos insumos (49% dos entrevistados), seguidos pelas empresas de pequeno porte (47%) e pelas microempresas (44%). Já entre os setores produtivos, a Indústria foi a mais abalada: 55% dos pequenos negócios.

Em consequência dos aumentos dos custos de recursos e gastos essenciais, como energia, frete e combustíveis, 55% dos pequenos negócios tiveram que reajustar os preços dos produtos e serviços. Apesar de serem muito impactados, os MEIs foram os que mais seguraram os repasses: 41% dos entrevistados.

Para contornar os efeitos negativos da alta dos preços dos insumos, os pequenos negócios adotaram diferentes medidas. As que tiveram o maior número de adeptos foram: redução do estoque (37%), inovação e otimização dos processos (30%) e diminuição do mix de produtos/serviços (27%).

“Estou tentando economizar o máximo possível pra tentar aumentar a margem. De 2020 pra cá caiu muito: ou deixo o prproduto mais barato para vender aumento e não vendo nada. Estou diminuindo o valor de venda, para não ter de fazer muitas promoções. É um valor mais baixo, o tempo todo, pra poder trabalhar”, conta o MEI Washington Jhonatan Rodrigues de Souza, que possui duas lojas de roupas masculinas.

Na avaliação do presidente do Sindicato do Comércio (Sindcomércio) de Montes Claros, Glenn Andrade, a culpa é da alta da inflação que tem afetado diretamente no resultado dos negócios. Sobretudo dos micro e pequenos empresários, passando também pelos MEI, que são as empresas de menor porte da cadeia produtiva no Brasil. 

“Com isso, o consumidor, tem restringido o consumo e, por outro lado, os pequenos, micro e microempreendedores individuais, para que não percam a sua clientela, o seu fluxo de vendas durante o mês eles têm realmente lançado mão de algumas estratégias para garantir as vendas, entre elas, a redução da margem de lucro”, informa. 

Para Glenn, os pequenos empresários têm feito ajustes internos nos seus estabelecimentos como corte de mão de obra, renegocia-ção de alugueis e colocado produtos em liquidações, diminuindo estoques.  

“Esses pequenos negócios estão com muita dificuldade de sobreviver, para conciliar manutenção do seu negócio, com a alta dos preços e a redução do poder de compra do consumidor, certamente, esses pequenos negócios têm sofrido com esta disparidade econômica”, afirma. 

É assim para o comerciante John, que explica que deixou de viajar para São Paulo, devido aos altos custos da viagem, e que agora, compra de fornecedores o necessário, para também não ter que se descapitalizar de uma vez só. “Eu comprava mensalmente, hoje já opto por fazer semanalmente através de fornecedores, pra justamente não ter que gastar com viagens e não ter que gastar tudo de uma vez, assim compro só o que realmente precisa. Não consigo fazer mais estoque como fazia, falta dinheiro”, lamenta. 
 
Aposta na Black Friday
Glenn aposta em um segundo semestre melhor.Acreditamos que até dezembro o comércio vai se manter com uma expectativa favorável. Isso porque o segundo semestre é sempre bom para o comércio, pois, temos excelentes datas, como os dias dos pais, dia das crianças, o Black Friday, e natal, que vão movimentar o comércio. E agrega a isso também, o pagamento do 13º salário”, diz um pouco mais aliviado. 

Mesmo assim, Glenn faz um alerta. “A luz vermelha está acessa, ela está mostrando que a um desequilíbrio econômico, inflacionário, com uma carga tributária muitíssimo elevada onde se propõe discutir a reforma tributária, mas ela não sai do papel”. Para ele, se não houver de fato o controle inflacionário e uma reforma tributária que venha beneficiar os pequenos, dentro de um curto espaço de tempo, as pequenas empresas vão estar impactadas.  “Ou seja, precisamos de uma reforma tributária que atinja o Simples Nacional, que é o tributo das micro e pequenas empresas. Fora isso aí, não vemos capacidade de expansão dos negócios”, ressalta.

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