Boas oportunidades

Empregos em MOC subiram 26% em 2024, com impulso de comércio e serviços

Larissa Durães
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 12/02/2025 às 23:25.
Ingrid Luana Xavier Sampaio, que atua como atendente, acredita que aqueles que procuram emprego com empenho e vontade podem encontrar excelentes oportunidades em Montes Claros (Larissa Durães)
Ingrid Luana Xavier Sampaio, que atua como atendente, acredita que aqueles que procuram emprego com empenho e vontade podem encontrar excelentes oportunidades em Montes Claros (Larissa Durães)

O mercado de trabalho de Montes Claros cresceu em 2024. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) mostram que o saldo de contratações subiu 26% comparado a 2023. Foram 52.785 admissões e 49.317 demissões, resultando em 3.468 novos empregos, ou 289 vagas por mês. O aumento foi de 16% no total de contratações e 26% no saldo final em relação ao ano anterior.

Os setores que mais impulsionaram as contratações foram Serviços e Comércio. O setor de Serviços liderou as admissões, com 28.569 novas contratações, representando 54% do total, e gerou um saldo positivo de 2.345 vagas (67% do saldo total de empregos). Já o Comércio admitiu 12.111 trabalhadores (23% do total), registrando um saldo de 770 vagas (22% do saldo total).

A atendente Ingrid Luana Xavier Sampaio é um exemplo desse movimento positivo. Ela começou a trabalhar em novembro, pouco após encerrar o seguro-desemprego. “Assim que acabou, já comecei a procurar, e logo surgiu essa oportunidade. Então, não fiquei muito tempo desempregada”, contou.

Para Ingrid, quem busca uma vaga com interesse e disposição encontra boas oportunidades na cidade. Durante sua busca, ela distribuiu entre dez e 15 currículos e recebeu resposta da maioria das empresas. “Montes Claros tem várias opções. A maioria das entrevistas que fiz foi para o comércio, e tive um bom retorno, com a chance de escolher onde queria ficar”, destacou. 

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Montes Claros, Ernandes Ferreira, atribui esse crescimento à chegada de novas indústrias e ao avanço do setor de energia solar na região. “O desenvolvimento desses setores aqueceu a economia local, estimulando a abertura de novas lojas, hotéis e empresas voltadas para educação e saúde”, afirmou.

Segundo Ferreira, a infraestrutura da cidade tem sido um fator atrativo para novos investimentos. “Montes Claros se destaca como polo regional e tem uma oferta de mão de obra maior do que outros grandes centros. Isso favorece a instalação de novas empresas e impulsiona a economia”, explicou.

A transformação nos hábitos de consumo também influencia diretamente o mercado de trabalho, especialmente nos setores de comércio e serviços. “O comércio acompanha as tendências do consumidor. Com a chegada de novas indústrias, como as do setor farmacêutico, há um aumento na renda média da população. Isso reflete no comércio, que passa a demandar produtos e serviços de melhor qualidade”, analisou Ferreira. 
 
EXIGÊNCIAS E IMPACTOS
Além disso, ele destacou que os consumidores estão cada vez mais exigentes, levando as empresas a investir na qualificação de seus funcionários. “Da mesma forma que os clientes buscam melhor atendimento e produtos de qualidade, os empresários precisam de profissionais mais capacitados. Por isso, estamos firmando parcerias com instituições privadas e públicas para oferecer qualificação técnica”, revelou.

Apesar dos bons números de 2024, Ferreira avalia que o cenário macroeconômico pode trazer desafios para os próximos anos. “As empresas estão mais cautelosas com novos investimentos devido à alta das taxas de juros e à ameaça da inflação. Isso gera preocupação entre os empresários”, pontuou.

No entanto, ele acredita que Montes Claros seguirá estável, pois muitos empreendimentos já estão em andamento e serão dificilmente interrompidos. “Quem já está investindo não vai parar agora. A cidade mantém um ritmo positivo, e os impactos dessas incertezas econômicas podem ser menores aqui do que em outros lugares”, avaliou.

Sobre a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos ao aço brasileiro e a volatilidade do dólar, Ferreira vê possíveis impactos em alguns setores. “O mercado interno, como a construção, por exemplo, pode até se beneficiar com a queda dos preços, já que parte da mercadoria que iria para exportação será redirecionada ao consumo nacional. Mas empregos relacionados a segmentos como a siderurgia podem ser afetados negativamente”, concluiu.

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