
Representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde estiveram em Montes Claros para conhecer o polo farmacêutico da cidade, o segundo maior do país. A visita institucional foi uma iniciativa do Sindicato Intermunicipal das Indústrias Químicas e Farmacêuticas de Montes Claros (Quifarmo), filiado à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg — Regional Norte).
Após visita técnica à Eurofarma, indústria em construção, que vem se somar às outras já instaladas no Distrito Industrial, o diretor da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, afirmou, em coletiva, que o órgão regulador reservou 1/4 do PIB do país para regular todos os segmentos que envolvem a saúde, como alimentos, medicamentos, dispositivos médicos, saneantes e outros. O conjunto de produtos que passa pelo processo de regulação, além de ser amplo e diversificado, é significativo em eficácia e segurança, já que são submetidos a um rigoroso controle de qualidade, de acordo com o diretor do órgão.
Sobre o mercado de medicamentos, Leandro destaca que é um dos mais dinâmicos e complexos do mundo, com pesquisas que abarcam o desenvolvimento tecnológico. “O Brasil hoje é um dos maiores produtores e consumidores de medicamentos do mundo e atende a um padrão de qualidade de altíssima excelência”, afirmou. Nesse contexto, disse o diretor, o órgão está apto a trabalhar para o processo ser feito da melhor forma possível. “A Anvisa faz toda a regulação do ciclo de vida do produto, desde a fase de pesquisa até a fase de consumo. O polo montes-clarense exporta boa parte da produção de medicamentos que o Brasil tem. É um polo que produz medicamentos essenciais para a população. A produção que tem sido feita aqui é fundamental para o país”, reiterou. Os números indicam que 25% dos fármacos exportados do Brasil saem de Montes Claros e 20% de toda exportação de Minas Gerais é de fármacos. “A Fiemg abre caminhos para a vinda dessas indústrias e facilita o contato e a interação com os governos, em todas as esferas, e com importantes órgãos de fomento, como a Sudene”, disse Adauto Marques, presidente da Fiemg Regional Norte.
ENCONTRO
Nesta última quarta-feira (21), a Associação das Empresas e Indústrias dos Distritos Industriais I e II (Assedi) realizou uma reunião com representantes locais do segmento. Um dos objetivos, de acordo com Bertholdo Pimenta, membro da diretoria da associação, é criar mecanismos para fomentar a interlocução entre o setor produtivo e o poder público, além de promover modificações e ampliar o quadro de associados, a fim de acompanhar o desenvolvimento do setor. Vivaldo Borges Neto, presidente da Assedi, considera que “uma das conquistas da associação foi a atuação para facilitar a mobilidade urbana e, consequentemente, o escoamento da produção. Promovemos também o acesso de pessoas vulneráveis que serão inseridas no mercado de trabalho, por meio de cursos”.
A Assedi conta hoje com 35 associados, mas a reunião atraiu cerca de 50 indústrias de diferentes segmentos. Uma delas foi uma farmacêutica de produtos veterinários, que tem como diretor Everaldo Lima. Ele conta que está em Montes Claros há 16 anos. “Fabricamos mais de 190 produtos consumidos em todo o território nacional. Muita gente utiliza os produtos e não tem a curiosidade de ler o rótulo e saber que eles são fabricados aqui. Temos medicamentos, embelezamento e suprimentos, entre outros. É uma diversidade muito grande e trazer essa informação aos cidadãos da cidade é importante”. Para Everaldo, o desenvolvimento está diretamente ligado à educação e à existência do curso de veterinária, assim como o de farmácia, ambos ofertados pelo grupo Funorte, vem de encontro à necessidade local. “É importante porque tem formação profissional na cidade. Não precisamos importar profissionais”, salientou.
