
Nesta semana, a Petrobras anunciou a redução de 5,2% no preço de combustível, o que significa que as distribuidoras de todo o país terão o produto pagando R$ 0,14 a menos por litro. Desde janeiro de 2023, esta é a 11ª mudança nos preços, com três aumentos e oito reduções. Na tarde desta última terça-feira (27), os postos de combustíveis em Montes Claros continuavam marcando o mesmo valor, anterior ao anúncio.
Leandra Rodrigues, motorista de aplicativo, conta que abastece com o litro custando em média R$ 6,15. “A corrida no app tem o valor mínimo de R$ 5,64. A conta não fecha. Há seis anos trabalho com app e não temos aumento. O combustível é uma parte que pesa e afeta outros gastos. Espero que haja agora uma redução do valor na bomba”, disse.
A Minaspetro, entidade que representa os postos de combustíveis em Minas Gerais, freou o entusiasmo dos consumidores. Em nota, a entidade afirmou que essa redução será dificilmente sentida pelo consumidor final. A justificativa é a de que o reajuste anunciado pela Petrobras para a gasolina A, vigente a partir de terça (27), pode não chegar aos motoristas devido ao alto preço do etanol anidro, que compõe 30% da gasolina comercializada nos postos. “Desde o início de 2026, o combustível de cana subiu R$ 0,19 nas usinas produtoras. O produto é responsável, atualmente, por R$ 1,06 do preço final da gasolina. O aumento em três pontos percentuais de anidro na gasolina, em agosto do ano passado, tem claros benefícios ambientais, no entanto, causa uma consequência comercial, com os reajustes da estatal tendo cada vez menos influência no valor de bomba. Cabe destacar também que o impacto final, levando em conta os 30% de mistura, é de R$ 0,09”, concluiu a Minaspetro.
Ao ser informada sobre a possibilidade de não ter o desconto, Leandra desabafou: “O aumento do combustível acontece de imediato. Basta anunciar para os postos já começarem a praticar o preço, mas a redução não funciona na mesma velocidade”. E reforça: “Espero uma fiscalização mais incisiva dos responsáveis. Essa redução tem que chegar até nós, sim!”.
O economista Aroldo Rodrigues explica que, na prática, vários fatores devem ser considerados nesse cenário e um deles é que, “se está abaixando, ele está ajudando para não aumentar. Porque existem diversos outros fatores de pressão de aumento. A redução ajuda a neutralizar os fatores de pressão”, diz. Aroldo afirma ainda que o combustível é usado em inúmeras etapas de produção e, quando está mais caro, impacta muito na inflação, “não só no transporte, mas em várias coisas que a gente nem pensa nessa correlação, então manter o preço estável, sem subir, é muito importante”, avalia.
Procurada, a Petrobras informou que a redução no preço tem o objetivo de permitir que o consumidor seja beneficiado e ajudar a conter a inflação. Em nota, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) informou que “questões relacionadas a possíveis preços abusivos são de responsabilidade dos órgãos de defesa do consumidor, como Procons”. Quanto às práticas anticoncorrenciais, como cartéis, a ANP afirmou ser de responsabilidade do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), ligado ao Ministério da Justiça, com a atribuição legal de investigar e punir esse tipo de irregularidade.
A reportagem entrou em contato com o Procon municipal e o diretor do órgão, Alexandre Braga, afirmou que o preço é composto por algumas variáveis, entre elas o preço da aquisição na refinaria e outras situações como impostos e custo operacional. “Mas qualquer alegação que vá impactar no preço precisa ser comprovada. Causa estranheza para a gente essa situação de informar que não vai ter a diminuição, justamente porque, quando é o contrário, o aumento vai imediatamente para a bomba. Tem várias coisas que compõem o preço, eles podem alegar algo nesse sentido, mas qualquer alegação precisa ser comprovada. Nossa equipe já foi informada da situação e vai averiguar”, disse.
Até o encerramento desta edição, o CADE, órgão vinculado ao Ministério da Justiça, não havia respondido às nossas solicitações.

