
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual. Para o economista Aroldo Rodrigues, o movimento sinaliza uma possível continuidade do ciclo de cortes, embora a redução ainda não produza efeitos imediatos sobre o crédito. Mesmo com o ajuste, a Selic permanece em patamar elevado, mantendo restrições ao crédito e aos investimentos.
Rodrigues explica que o corte não muda imediatamente o acesso ao crédito ou a taxa que o consumidor vai pagar, por exemplo, ao comprar um produto parcelado. “Primeiro, porque existe um tempo para essa redução se refletir no mercado e, segundo, porque é um corte pequeno. Mas ele sinaliza uma direção: a de uma Selic que venha sendo reduzida gradualmente”, esclarece.
O relatório Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central, apontava, nesta semana, a previsão de manutenção da Selic em 13,75% até o final do ano. Ou seja, até o fim de 2026, a expectativa é de que a taxa permaneça nesse patamar. Para o ano que vem, a previsão é de uma Selic de 12%.
“Isso é uma sinalização positiva, porque indica uma trajetória de queda da taxa de juros e abre espaço para cortes maiores no futuro. Um juro menor possibilita mais investimentos, estimula o consumo e contribui para um maior aquecimento da economia”, avalia o economista.
Segundo Rodrigues, a condução da política fiscal também influencia o cenário de juros e inflação. Ele defende maior controle dos gastos públicos para reduzir pressões sobre a demanda e contribuir para o processo de redução da taxa básica.
“Essa é a relação entre a causa e o impacto: a política fiscal e a necessidade de controlar a inflação influenciam a condução da taxa de juros, enquanto a redução da Selic pode favorecer o crédito, o investimento, o consumo e, consequentemente, a atividade econômica”, diz.
Em avaliação sobre a decisão, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) considera que a taxa permanece ao nível restritivo e limita a capacidade de expansão da indústria, com reflexos sobre a produção, o emprego e a competitividade do país.
“A estabilidade de preços é indispensável ao crescimento econômico, mas deve ser acompanhada de condições que permitam ao setor produtivo investir, inovar e gerar empregos”, afirma João Gabriel Pio, economista-chefe da FIEMG.
A Federação avalia, entretanto, que a redução sustentável dos juros não depende apenas da atuação do Banco Central. Segundo a entidade, o desequilíbrio das contas públicas e a adoção de estímulos fiscais e de crédito que pressionem a demanda reduzem a eficácia da política monetária e tornam o combate à inflação mais caro para empresas e trabalhadores.
Nesse sentido, Pio defende maior coordenação entre as políticas fiscal e monetária. “Não é sustentável exigir que os juros carreguem praticamente sozinhos o peso do controle inflacionário, enquanto medidas expansionistas atuam na direção contrária”, ressalta.
