Expansão rural

CNA entrega propostas para o Plano Agrícola e Pecuário 2026/2027

Vanessa Araújo
vanraraujo@gmail.com
Publicado em 05/05/2026 às 19:00.
CNA entrega propostas do Plano Safra ao Ministério da Agricultura (Daniel Fagundes - CNA Brasil)
CNA entrega propostas do Plano Safra ao Ministério da Agricultura (Daniel Fagundes - CNA Brasil)

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) entregou ao Ministério da Agricultura as propostas do setor para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027 em um momento de forte expansão do agrone-gócio, que alcançou R$ 3,2 trilhões e passou a responder por 25,13% do PIB nacional em 2025. O encontro, conduzido pelo presidente da entidade, João Martins, com o ministro André de Paula, ocorre sob o pano de fundo de um setor que cresceu 12,2% no último ano e reforça sua pressão por previsibilidade e ampliação de crédito.

O documento entregue pela CNA reúne dez pontos considerados prioritários para o próximo ciclo do Plano Safra, com ênfase em orçamento previsível, planejamento plurianual e mecanismos de fortalecimento financeiro do produtor rural. Também entram na lista a ampliação do acesso ao crédito, instrumentos de renegociação de dívidas e reforço ao seguro rural, itens sensíveis em um contexto de volatilidade de preços e custos de produção.

As propostas foram construídas com base em consultas realizadas em todas as regiões do país, envolvendo federações, sindicatos e produtores. Segundo João Martins, o objetivo foi consolidar demandas reais do campo em uma agenda estruturada. Ele também destacou a necessidade de políticas públicas voltadas à assistência técnica e gerencial, apontada como vetor de aumento de produtividade e incorporação tecnológica.

Do lado do governo, André de Paula sinalizou abertura para diálogo e rapidez na análise das demandas. A equipe do ministério, segundo ele, deve atuar em conjunto com a CNA para viabilizar ajustes no plano, diante de um cenário que classificou como desafiador.

O avanço das negociações ocorre em paralelo à divulgação dos dados do PIB do agronegócio, elaborados pela CNA em parceria com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). O crescimento de 12,2% em 2025 foi puxado principalmente pelo segmento primário, que avançou 17,06%, impulsionado por maior produção e desempenho de culturas como soja, milho, café e laranja, além da valorização da pecuária.

A pecuária, aliás, foi o principal destaque, com alta de 32,55%, sustentada por preços mais elevados e aumento da produção de carnes, leite e ovos. Já a agricultura cresceu em ritmo mais moderado, 3,40%, impactada pela queda de preços em algumas commodities relevantes. Outros segmentos também contribuíram para o resultado: os agrosserviços cresceram 13,76%, acompanhando a expansão da produção, enquanto a agroindústria e o setor de insumos avançaram 5,60% e 5,37%, respectivamente.

Apesar do desempenho robusto no acumulado do ano, o setor perdeu fôlego no último trimestre de 2025, com recuo de 1,11% frente ao período anterior. Ainda assim, a CNA e o Cepea apontam que o resultado consolida a recuperação iniciada no segundo semestre de 2024 e reforça o papel estrutural do agronegócio na economia brasileira.
 
SOBRE O PLANO SAFRA
O Plano Safra é organizado anualmente pelo governo federal desde a década de 1960. Ele funciona em ciclos de 12 meses, de julho a julho, e libera crédito rural para produtores financiarem sua produção em todas as etapas, desde a compra de máquinas e insumos até a armazenagem da colheita. 

No ano passado, o programa destinou um recorde de R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 89 bilhões para a agricultura familiar (Pronaf). O plano foca em juros reduzidos, sustentabilidade, produção de alimentos básicos e incentivo a práticas agropecuárias de baixo carbono, com taxas competitivas abaixo de 10%.

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