
O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta última quinta-feira (25) uma medida que pode trazer um respiro aos motoristas de aplicativo e taxistas que pretendem financiar a compra de veículos novos. A decisão, que já está em vigor, proíbe que bancos e instituições financeiras cobrem a tarifa de cadastro nas operações que integram o programa de financiamento Move Aplicativos.
Até então, o candidato ao financiamento arcava com os custos de consulta pela instituição financeira na checagem de crédito no SPC, Serasa, verificação do histórico de crédito e outros dados cadastrais do interessado. A instituição poderá fazer a verificação, mas a taxa não será atribuída ao cliente, como era antes. Outros tipos de financiamentos bancários continuam seguindo suas próprias regras tarifárias. A proibição está relacionada especificamente a esse encargo e atrelada aos financiamentos do Move Aplicativos, programa aberto em maio de 2026 para quem atua no ramo e deseja adquirir um veículo novo. Para isso, os motoristas de aplicativo devem estar ativos na plataforma há pelo menos 12 meses e com o mínimo de 100 corridas. Quanto aos taxistas, devem estar regularmente cadastrados. O montante disponibilizado para o programa é de R$ 30 bilhões e o teto para os veículos elegíveis é de até R$ 150 mil.
O Move Aplicativos possibilita acesso facilitado ao crédito. Com isso, o governo pretende impulsionar a renovação da frota, aumentar a segurança no trânsito e transporte de passageiros e fazer com que os proprietários diminuam gastos com a manutenção do carro. Um outro aspecto positivo da substituição de veículos antigos pelos novos recai sobre o meio ambiente, já que os veículos mais novos dispõem de tecnologias que reduzem o consumo de combustível, a emissão de poluentes e fontes alternativas de energia, como os elétricos ou híbridos.
O músico e motorista de aplicativo Alexandre Soares conta que a iniciativa “vai ajudar uma moçada que está à espera de oportunidades para financiar seu veículo. Fiz a troca de um Celta por um Uno, mas peguei um carro usado. Já estou pensando em trocar novamente e por um veículo novo. A vantagem é que o carro zero km não precisa de tanta manutenção e, fazendo trocas periódicas, o carro será sempre novo”, disse, acrescentando que os profissionais trabalham com a necessidade de manter um fundo de reserva para o caso de manutenção. A redução de taxas, segundo Alexandre, é sempre bem-vinda.
O economista Aroldo Rodrigues avalia que a medida é uma vantagem para a categoria, porque, no frigir dos ovos, a aquisição do veículo pode ficar mais barata. “Se não se pode cobrar uma taxa administrativa de cadastro, isso quer dizer que a pessoa vai ter um crédito. Mas a instituição não vai deixar de fazer a avaliação, porque há um risco para quem oferta. Ela vai continuar mantendo a política de crédito dela, só não vai transferir esse risco, esse custo, para quem estiver tomando o crédito. E se a gente analisar, de fato, essa é uma responsabilidade da empresa”, analisa. Aroldo destaca que o ponto central é o consumidor observar com cuidado se outras taxas não serão majoradas. “Mas essa linha de crédito, pelos parâmetros, é vantajosa, ainda que fosse cobrada essa taxa”, ressalta o economista.
