Retrospectiva 2022

“Ano do dragão”

Economia: 2022 começou “sem refrescos” e terminou com ceia “salgada”

Da Redação*
Publicado em 31/12/2022 às 01:19.
 (LARISSA DURÃES)

(LARISSA DURÃES)

Definitivamente, o ano que se encerra não deixará saudades para o bolso dos montes-clarenses. Em janeiro, O NORTE mostrou que Montes Claros saiu de um período de inflação moderada para um quadro de hiperinfla-ção referente ao ano de 2021, o que quebrou o orçamento doméstico previsto para o início de 2022.

Todas as previsões econômicas apontavam o surgimento de “perrengues” para o trabalhador: os reflexos da pandemia, a escassez hídrica, o aumento da energia elétrica, dos combustíveis e dos insumos dos produtos agrícolas.

Em conversa com a economista e coordenadora da pesquisa do Índice de Preços ao Consumidor em Montes Claros, Vânia Vilas Bôas Vieira, do Departamento de Ciências Econômicas da Unimontes, 2022 seria um ano de muita cautela, sem refrescos.

“Tem que reunir e discutir qual o orçamento, prioridades, os gastos essenciais, que são os relevantes neste momento”, ensinou.

Em fevereiro, o relatório do IPC, estudo mensal sobre a inflação produzido pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), apontou uma alta no custo de vida e o dragão da inflação assustou o consumidor montes-clarense.  

Em janeiro, o índice ficou em 0,95%, maior que a média registrada nas principais capitais do Brasil. 

Com os efeitos do clima, sobretudo o maior período chuvoso, tomate e batata inglesa apresentaram alta acima dos 10% e se tornaram vilões na hora da compra em sacolões e supermercados. 

Já em março, a coisa também não foi tão diferente. 

O mês apresentou a maior inflação para o período desde a implantação do Plano Real, em 1994.  

O índice nacional bateu 1,62%, puxado pela alta dos combustíveis e dos alimentos. 

Em MOC, o dragão cuspiu fogo sem dó: a inflação do último mês bateu mais um recorde e ficou acima da taxa nacional. O IPC chegou a 1,69%, também inflado pelos mesmos grupos no país: combustíveis e alimentos.

Na época, O NORTE entrevistou a dona de casa, Janete Mariana da Silva, que contou a “receita” para sobreviver aos perrengues do orçamento apertado: 

“É preciso se reinventar com novas receitas, substituir os produtos e até mesmo buscar por uma marca similar”, contou.

Gosto amargo na ceia

O finalzinho do 1º semestre e o início do 2º, guardaram algumas surpresas agridoces para MOC.  

Em junho, o leite ficou 13,55% mais caro o que impactou o preço dos produtos derivados, como queijos. O IPC registrou o índice de 0,23% no mês de agosto na cidade, contra os 0,91% de julho. Mesmo com o menor índice da inflação, o poder aquisitivo dos montes-clarenses continuou em baixa.

Apesar dos pesares, a inflação continuou desacelerando. No mês de setembro, a cesta básica custou ao bolso do consumidor R$ 484,05 em oposição a R$ 495,31 do mês anterior. 

“O custeio de vida aqui, vou te falar, a gente trabalha dia a dia só mesmo pra comprar alimentos, pagar as contas. Porque pra viver bem em Montes Claros não dá não”, lamentou o pedreiro Fernando Godinho, de 27 anos, casado e pai de duas crianças.
 
ENTÃO, É NATAL
Com a chegada das festas de fim de ano, os produtos da ceia pesaram no bolso; um aumento médio de 17% em relação a 2021, enquanto a inflação no período foi de 9,17%.

Somente em novembro, o preso da cesta básica foi impactado pelas fortes chuvas da região, ocasionando o índice de 0,44% contra os 0,41% % registrados em outubro. 

Conforme o IPC, o aumento nos preços foi puxado em dezembro, principalmente, pelo avanço da inflação no país ao longo do ano, bem como a valorização do dólar, contribuindo pela escalada no preço dos itens natalinos.

*Com informações dos repórteres Larissa Durães e Leonardo Queiroz

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