Alta de 8,87% no diesel pesará nos preços de alimentos

Reajuste no combustível vale a partir desta terça-feira e representa aumento de R$ 0,40

Da Redação*
10/05/2022 às 00:08.
Atualizado em 10/05/2022 às 10:09
Eremita Santos diz que a estratégia é sempre ir em busca de preços melhores: ela compra na semana aquilo que estiver com valor mais baixo (márcia vieira)

Eremita Santos diz que a estratégia é sempre ir em busca de preços melhores: ela compra na semana aquilo que estiver com valor mais baixo (márcia vieira)

 Os preços nos supermercados e sacolões estão assustando o consumidor. A cada semana que a dona de casa vai adquirir os produtos, um novo valor se apresenta. Em Montes Claros, por exemplo, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação, mostrou que vários alimentos tiveram alta considerável em abril, caso do leite (13,27%), tomate (12,64%), batata inglesa (10,10%), farinha de trigo (9,54%) e óleo de soja (8,13%).

E a tendência é de piora do cenário com o aumento do diesel, válido a partir desta terça-feira (10). A Petrobras anunciou o reajuste de 8,87% nesta segunda-feira (9) para as distribuidoras. De acordo com a empresa, o preço do litro do combustível no atacado passará de R$ 4,51 para R$ 4,91, um aumento de R$ 0,40.

O impacto de aumentos no diesel é direto no preço de diversos produtos, já que o combustível é usado no transporte e até mesmo um dos insumos de produção.

A economista Vânia Vilas Bôas, professora da Unimontes, ressalta que o aumento do preço do diesel repercute diretamente no custo do transporte e, como no Brasil, 63% do transporte de cargas é feito por caminhões, em rodovias, o impacto é direto.

“Isso impacta nos produtos que vão ser comercializados, em especial nos alimentares, que têm um peso muito grande para a população que tem renda bem baixa”, analisa a professora.

Segundo Vânia, esse tipo de reajuste gera o impacto chamado inflação de custos. “E quem vai pagar por isso, no final, é justamente o consumidor”, afirma a economista.

Segundo a Petrobras, esse é o primeiro reajuste do combustível em 60 dias. A gasolina e o GLP tiveram seus preços mantidos. Com o reajuste, a mistura obrigatória de 90% de diesel A e 10% de biodiesel passará a custar para a distribuidora R$ 4,42 por litro, em vez dos atuais R$ 4,06, uma alta de R$ 0,36.

Essa é a parcela da Petrobras no preço cobrado do consumidor, que ainda inclui custos e margens de lucro das distribuidoras e dos postos de combustível, além do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

ARGUMENTO
A empresa justifica o aumento informando que o balanço global de diesel está sendo impactado, nesse momento, por uma redução da oferta frente à demanda. “Os estoques globais estão reduzidos e abaixo das mínimas sazonais dos últimos cinco anos nas principais regiões supridoras. Esse desequilíbrio resultou na elevação dos preços de diesel no mundo inteiro, com a valorização deste combustível muito acima da valorização do petróleo”, informa a empresa em nota.

O presidente do Sindicato de Transportadores de Carga de Montes Claros e região, Antônio Roberto, diz que não há nada a ser feito. “É mais um aumento que temos que engolir. Vamos ter que suportar até outubro. Parar não podemos. São 14 milhões de desempregados. Tinha motorista que ganhava R$ 3 mil e tá ganhando salário mínimo. Sempre impacta no frete, comida, cesta básica e, infelizmente, cai nas costas do consumidor”.
 
IMPACTO
Funcionário de um sacolão em Montes Claros, Valdeci Alves diz que transporte e combustível têm, automaticamente, uma relação direta com o preço final dos alimentos, impactado pelo valor do frete. 

“Além das frutas e verduras, o mix de produtos que os clientes encontram aqui é muito grande e isso facilita. Temos o produto de uma marca mais conhecida, porque alguns clientes não abrem mão, e temos sempre um semelhante, com preço mais em conta”, diz o funcionário.

E é por isso que Eremita Santos gosta de comprar nesse estabelecimento. “Se numa semana um tipo de fruta estiver mais caro, vou substituindo, trocando por outras e assim a gente vai levando”, conta.

*Com Agência Brasil e Márcia Vieira


 

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