
O Índice de Preços ao Consumidor de Montes Claros (IPC-Moc) apontou que, em janeiro de 2026, o custo de vida aumentou, se comparado a dezembro de 2025, com índice de 0,71% contra 0,34%, respectivamente. O estudo, realizado pelo Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) desde 1982, considera preços coletados em diferentes estabelecimentos, como supermercados, farmácias, postos de combustível, entre outros, e aponta para itens essenciais nos setores de alimentação, transporte, moradia, saúde e educação. Para coletar os dados, são visitados 400 estabelecimentos varejistas em bairros diferentes da cidade. A metodologia utilizada para cálculo compara preços médios do mês atual com os preços do mês anterior.
Moradora da zona rural, Ivone Fonseca percebeu o aumento no preço dos alimentos. Ela conta que, com o marido, cultiva alguns produtos em sua área, mas apenas para consumo próprio. Ainda assim, diz ela, a maior parte dos alimentos é comprada em supermercado. “Fiz compras na semana passada e achei as coisas bem mais caras. A quantidade que a gente comprava com R$ 200 hoje já não compra mais. Ainda não deu nem para sentir o aumento de salário”, diz. No caso de Ivone, há ainda um agravante. Por ter uma doença autoimune, a alimentação é diferenciada. “Tenho que comprar coisas específicas e o preço dobra mais ainda”, declara.
A economista Vânia Vilas Boas ressalta que o grupo alimentação, embora não tenha sido o grupo de maior impacto no aumento deste mês, é o grupo com o maior peso, ou seja, ocupa a maior parte do orçamento familiar. “Nesse período, nós temos condições adversas em decorrência das questões climáticas, com excesso de chuva, fazendo com que haja uma oferta menor desses produtos alimentares e um custo logístico maior, porque é um período chuvoso e compromete mais as estradas”, destaca a economista, ressaltando que Montes Claros tem uma demanda externa muito grande nesses itens, daí o encarecimento da logística. O clima pesa também para o homem do campo, que tem um custo mais elevado devido ao investimento para combater as pragas existentes nesse período.
“Então isso acaba fazendo com que os itens alimentares, principalmente os hortifrutis, cheguem com preços mais elevados e com comprometimento na qualidade”, explica a economista. Os alimentos in natura que mais tiveram variação positiva (aumento) foram, chuchu, 134,24%; pepino, 114,83%; abóbora, 39,02%; beterraba, 36,36%; morango, 34,32%; cará/inhame, 32,93%; tomate, 28,01%; berinjela, 24,00%; abacaxi, 21,77%; banana maçã, 18,83%; côco verde e seco, 16,43%; cenoura, 15,73%; couve flor, 15,19%; batata inglesa, 12,74%; batata doce, 11,68%; goiaba, 10,45%; pêra, 6,82%; quiabo, 6,80%; repolho, 6,65%; brócolis, 6,03%; jiló, 4,89%; maçã, 3,46%; alface, 3,46%; maxixe, 3,12%; mamão, 3,11%; laranja, 1,67%; couve,1,44% e, mexerica/tangerina, 1,11%. Já as variações negativas (preço menor que a pesquisa anterior) indicam o abacate, -12,47%; ameixa, -11,53%; melão, -9,33%; maracujá, -8,98%; melancia, -8,96%; manga, -8,07%, pimentão, -7,88%; banana caturra, -7,77%; banana prata, -6,89%; cebola seca, -3,89%; limão, -3,50%;
milho verde/espiga, -2,78%; mandioca, -2,10% e, uva, -1,29%. Outros alimentos, como carnes e industrializados, integram o grupo alimentação.
Outros grupos tiveram aumento de preços maiores e impactaram mais o índice final. Segundo a economista, o resultado do IPC de janeiro reflete o aumento que historicamente esses grupos ocupam. “Como é o caso do grupo que a gente chama de educação e despesas pessoais. É nesse período que temos matrículas, mensalidades escolares, compra de material escolar, apostilas, e esse foi o grupo que teve em janeiro a maior contribuição para o índice”, diz. Em segundo lugar aparece o grupo transporte e comunicação, que, conforme a economista, é resultado do aumento do etanol e da gasolina. Vânia aposta em um cenário mais favorável nas próximas pesquisas. “A tendência é que no próximo mês tenhamos uma inflação menor, até mesmo porque não há variação desses grupos. Há uma perspectiva de queda no preço dos combustíveis e, com esse preço de produtos de matrículas escolares não mais pesando no índice, creio que tenhamos uma inflação menor”, analisa.
