
O custo de vida voltou a subir em Montes Claros e tem pesado cada vez mais no orçamento das famílias. Pesquisa divulgada pelo Setor de Índice de Preços ao Consumidor (IPC), do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Montes Claros, revelou que a inflação no município registrou alta de 0,91% no mês de abril de 2026. O índice é superior ao registrado em março, quando a variação foi de 0,70%. Com o novo resultado, a inflação acumulada no ano chegou a 2,64%.
O levantamento aponta que, entre os grupos pesquisados, a alimentação foi a principal responsável pela alta dos preços, com variação de 1,56%. Em seguida aparecem os grupos transporte e comunicação, com aumento de 1,53%, vestuário (0,81%), saúde (0,51%), habitação (0,48%) e artigos de residência (0,47%). Apenas o grupo educação e despesas pessoais apresentou queda, com variação negativa de -0,72%.
De acordo com a economista e coordenadora do IPC da Unimontes, Vânia Vilas Boas, o resultado demonstra a continuidade das pressões inflacionárias sobre o orçamento das famílias, principalmente as de menor renda.
Segundo ela, embora alguns setores tenham registrado desaceleração em relação ao mês anterior, os preços seguem sendo pressionados principalmente pelos grupos alimentação e transporte. “O comportamento da inflação ainda reflete um cenário pressionado especialmente pelos alimentos e pelos combustíveis. No grupo alimentação, houve aumento em produtos hortifrúti-granjeiros e industrializados, influenciado por fatores climáticos e também pelo aumento nos custos de produção, transporte e distribuição”, explica.
A economista destaca ainda que os combustíveis também tiveram forte impacto na inflação registrada em abril. “O grupo transporte foi pressionado pelos reajustes do etanol, diesel e gasolina. Além disso, o cenário internacional continua instável e influencia diretamente os preços das commodities e dos insumos importados, o que acaba afetando diversos setores da economia brasileira”, afirma.
Para as famílias de baixa renda, os efeitos da inflação acabam sendo ainda mais sentidos, já que os alimentos representam uma parcela significativa das despesas mensais. “O aumento contínuo da cesta básica reduz o poder de compra dos salários e amplia as dificuldades financeiras das famílias, especialmente em um contexto de elevado endividamento e juros ainda altos”, acrescenta Vânia Vilas Boas.
A percepção da população acompanha os números apresentados pela pesquisa. A dona de casa Marina Barbosa relata que tem sentido cada vez mais dificuldade para manter as compras do mês dentro do orçamento. “Tenho percebido que as coisas estão cada vez mais caras e, no
último mês de abril, a alimentação pesou muito no bolso. Quando a gente vai ao supermercado, sente a diferença em praticamente todos os produtos. Há tempos eu não vejo o dinheiro render nas compras do mês como rendia antes”, conta.
Ela afirma que alguns itens básicos tiveram aumentos que chamaram atenção. “Fiquei assustada com o preço de produtos simples que fazem parte da rotina da minha casa, como óleo de soja, bolacha e maisena. São itens essenciais e que ficaram muito mais caros”, relata.
Apesar do cenário atual, a expectativa é de que a inflação apresente desaceleração gradual ao longo do segundo semestre de 2026. Segundo a coordenadora do IPC, o comportamento dos preços dependerá principalmente das condições climáticas, do desempenho das safras agrícolas, da estabilidade cambial e das decisões da política monetária nacional. “Se houver melhora na oferta de alimentos e redução das pressões externas, alguns produtos poderão apresentar estabilidade nos preços, contribuindo para uma inflação menor nos próximos meses”, conclui a economista.
