economia

52% dos brasileiros sofrem com estresse financeiro

Especialista da FASI destaca impacto psicológico e social da falta de dinheiro

Larissa Durães*
larissa.duraes@funorte.edu.br
Publicado em 20/08/2025 às 19:00.
Pressão econômica prejudica saúde e convívio familiar (freepik)
Pressão econômica prejudica saúde e convívio familiar (freepik)

Mais da metade dos brasileiros (52%) vive sob alto estresse financeiro, conforme pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) com o Datafolha. Nas classes D/E, esse percentual sobe para 62%. Entre esses, 61% sentem-se constantemente pressionados, 54% têm dificuldade para dormir devido a preocupações financeiras e 44% enfrentam conflitos familiares por dinheiro. Cerca de 56% dos brasileiros temem perder suas fontes de renda, sendo 49% entre investidores.

Um morador de Montes Claros, que preferiu não se identificar, relatou que a pressão econômica tem afetado diretamente sua saúde e rotina. “Afeta e muito, me tira o sono. Durmo e acordo pensando nas contas e como irei pagá-las, já que o salário não é suficiente para cobrir as despesas e, desse modo, não tenho como economizar. Não sobra dinheiro para lazer, imprevistos ou para custear remédios que necessito. Ou seja, não tenho qualidade de vida e sequer posso cuidar da saúde, pois os exames e consultas pelo SUS demoram mais de um ano”, contou.

Segundo ele, as principais despesas são: condomínio, energia, alimentação e medicamentos. A dificuldade em equilibrar o orçamento se repete mensalmente. “Acontece todo mês. Uso cartão e parcelo o máximo que consigo. Se posso parcelar em dez vezes, parcelo. É a alternativa para o gasto mensal ficar menor, mesmo que isso represente juros no final da compra. Acontece que alguns lugares, como supermercados, parcelam apenas em três vezes.”

Ele afirma que a pressão das contas provoca desgaste emocional e afeta o convívio familiar. “O estresse é diário. Prejudica o convívio com a família à medida que eles não entendem que qualquer gasto, por menor que seja, atrapalha a minha sobrevivência”, desabafou.

Segundo o psicólogo e professor da FASI (Centro Universitário Funorte), Thiago Frederik Mendes Batista, o dinheiro ocupa um peso bastante considerável em nossa saúde mental, porque ele garante o básico, como comida, casa, saúde e lazer. “E quando falta, as pessoas vivem em constante preocupação. E isso gera muita ansiedade, estresse, tristeza, sentimento de desamparo. Não é só uma falta de dinheiro em si. Porque viver vendo os outros terem muito, também é algo que nos toca. A desigualdade que o dinheiro produz provoca também sentimentos de humilhação, exclusão, baixa autoestima. Por um lado mais íntimo, mais psíquico, o dinheiro também mexe com uma forma como a gente se enxerga. Muitas vezes ele vira sinônimo de valor pessoal, moeda de troca. Quem tem, sente que vale mais e quem não tem sente que vale mais. Menos isso pode gerar sentimentos sociais como vergonha, insegurança, até mesmo uma cobrança interna muito grande de tentar se encaixar ou produzir uma adequação. E em alguns casos a obsessão” explica o especialista.

Ainda conforme o profissional, questões sociais, geopolíticas e de governança, incluindo dinheiro, impactam nossa dimensão psicossocial, gerando um sofrimento ético-político. “Nós somos inseridos num sistema capitalista que cria a ideia de que felicidade, sucesso, reconhecimento, esses elementos, estão sempre ligados ao consumo. E dessa forma é muito tranquilo, a gente vê com muita tranquilidade. De ver as pessoas entrando numa corrida sem fim, de quem não tem dinheiro sofrendo para conseguir acompanhar e de quem sente que nunca é o bastante. Isso cobra um preço muito alto para a saúde mental de todos nós. A conta para a nossa saúde mental, em algum momento, ela vai chegar. No fim das contas, o dinheiro mexe tanto com a vida prática, por questões de subsistência e reprodução da vida, quanto com a vida emocional” completa Thiago.
 
*Com colaboração de Alexandre Fonseca

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