Jerúsia Arruda


Repórter


jerusia@onorte.net



Zé Coco do Riachão nasceu José dos Reis Barbosa dos Santos, em 1912, no município de Brasília de Minas, no Vale do São Francisco, Norte de Minas Gerais. Filho de um tocador e fazedor de violas, é conhecido e admirado pelo Brasil afora como o artesão de sons. Modesto e honrado, fabricava as rabecas com as quais se apresentava, sendo chamado pelos alemães de Beethoven do Sertão.





Zé Coco do Riachão é um dos homenageados na 7ª edição do Dia Municipal  da Memória do Artista (fotos: arquivo)



Violeiro, rabequista, sanfoneiro, pandeirista, compositor, um dos maiores nomes da música caipira brasileira, aprendeu a tocar com o pai, também violeiro. Nascido numa região onde a influência cultural dos quilombos era e é muito forte, fez fama, mas só teve reconhecimento nacional com quase 70 anos de idade.



Gravou dois discos e um CD na década de 80, que não foram suficientes para livrá-lo da pobreza.



O LP Vôo das Garças, lançado em 1987 e transformado em CD em 1997, através do Projeto Trem da História, é um dos seus principais trabalhos. Nele Zé Coco se deu inteira liberdade para escolher o repertório, os arranjos e os músicos convidados. Nele, o músico usa os instrumentos que fabricou: técnica e carinho nas violas, violão e rebecas. São 17 faixas de onde brotam e afloram lundus, valseados, corta-jacas, mazurcas, guaianos, dobrados e calangos.






A obra do compositor e músico Zé Coco do Riachão inspirou a criação do espetáculo de dança Vôo das Garças, do Studio de Ballet Jaqueline Pereira, que mostra o cotidiano de pessoas se preparando para uma festa religiosa; uma referência à simplicidade e religiosidade do povo sertanejo



Sobre a música de Zé Coco do Riachão, Darlan Cunha diz que é tenaz das cancelas, das folhas dos pequizeiros e das bromélias; é o corgo lambendo os sapatos de pedra de Minas, o olho da samambaia debruçado sobre a rede onde, um dia, se tiveres sorte, te deitarás a beliscar uns petiscos e a ouvir um disco dele.



Hoje seus discos podem ser comprados em um sebo em Nova York por até 1.080 dólares, sem que a família tenha qualquer controle sobre seus direitos autorais.