Nomes como os dos norte-mineiros Jorge Takahashi, Yuri Popoff, Sérgio Ferreira, Márcia Prates, Jaqueline Pereira, Felicidade Patrocínio, Afonso Teixeira e Ângela Evans foram atrações do projeto “Cultive.com: Arte Coletiva”. Criado antes da pandemia, se tornou uma verdadeira vitrine para diversos artistas locais e nacionais.
O último episódio será apresentado neste domingo (10), com a participação especial de Wagner Tiso. O compositor, arranjador, diretor musical, maestro e multi-instrumentista vai falar do primeiro álbum autoral de sua carreira. É com ele, nosso bate-papo de hoje.
 
Como foi receber o convite para gravação do álbum autoral “Wagner Tiso” (1978), tendo em vista que vinha trabalhando com o Som Imaginário?
Quando fui renovar o contrato do Som Imaginário, a Odeon resolveu assinar só comigo! Assinei e fui para Los Angeles! Quando voltei, Giselle Goldoni já era minha produtora na época, foi até a Odeon e combinou não só a gravação do primeiro LP, como os dois que se seguiram. Foi uma alegria imensa.
 
Naquele momento da música brasileira, como imaginou conceber um álbum instrumental?
Claro que sim, inclusive o último do Som Imaginário, “Matança do Porco”, era todo instrumental e sinfônico, o que encantou a gravadora e o público. O LP “Wagner Tiso” teve uma excelente vendagem, ótimas críticas e foi lançado em vários países, o que me deixou muito feliz. O show de lançamento percorreu o Brasil e conquistei um público fiel até hoje.
 
Como o maestro vê a importância deste álbum para sua carreira e para a música brasileira?
Com muita satisfação e orgulho, inclusive porque foi um álbum que resgatou a Orquestra Sinfônica na Música Instrumental Brasileira.
 
Como foi a reação dos músicos que o acompanhavam na banda “O Som Imaginário” ao perceberem que não participariam deste álbum?
Foi tudo muito tranquilo. São amigos queridos, alguns compadres, que nunca deixaram de tocar comigo. Estamos juntos na estrada até hoje, o que nos deixa muito felizes!
 
Há duas participações relevantes e muito expressivas neste disco: Milton Nascimento e a soprano Maria Lúcia Godoy. O que o levou a incluir esses grandes nomes para essa gravação?
São duas vozes impressionantes que combinavam lindamente com as respectivas composições e valorizaram muito o disco. Em relação ao Milton, não poderia deixar de fora meu amigo de infância, que juntos começamos na profissão. Maria Lúcia, a grande soprano colatura brasileira na época, de quem sempre fui um grande admirador.
 
Como recebeu o convite para sua participação no encerramento da Série Cultive on-line?
Com grande satisfação e prazer pela possibilidade de reviver este disco e esta época da minha música. Agradeço a oportunidade.
 
Algum novo projeto musical para o ano 2021, visto que os eventos presenciais estão com tantas restrições? 
Sim, muitos projetos, inclusive o registro em um novo CD dos meus choros, incluindo os novos que compus na pandemia. Tenho também outros projetos com orquestra, pretendo gravar algumas Suítes Sinfônicas, apresentadas somente ao vivo. Estou inclusive neste mês de janeiro lançando nas plataformas digitais o CD ao Vivo na Finlândia, em duo com Victor Biglione. Estamos, também, colocando aos poucos toda a minha obra gravada.

SÉRIE “CULTIVE” ON-LINE
QUANDO: Domingo, 10 de janeiro
HORÁRIO: 20h
ONDE: canal youtube.com/Berenicechaves1