Palco do festival “Voz de Minas”, que busca revelar novos talentos da música, Montes Claros, assim como o Norte de Minas, é berço de grandes músicos. E muitos deles têm uma coisa em comum: a formação no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez (Celf). Dos 60 anos do espaço, completos neste ano, mais da metade teve a presença de Vera Alencar pelos corredores e salas, desde criança.

A menina, que convivia com a música desde que nasceu, começou a cantar na igreja aos 4 anos e, aos 7, já estava no Celf. E nunca mais saiu de lá. São 32 anos do conservatório em sua vida. 

“O Celf é minha casa, é onde faço o que amo, onde me sinto feliz e acolhida”, diz Vera. A aluna se tornou professora logo após se formar em Música pela Unimontes, em 2003.

Em 2021, Vera celebra 24 anos como cantora. “Comecei profissionalmente aos 17, cantando em bandas de baile no Norte de Minas”, lembra.

Conheça mais sobre essa artista, que bateu um papo com O NORTE.

Como começou sua história com o canto? 
Estudava inglês em uma escola de idiomas aqui em Montes Claros. Já estudava música há um bom tempo, mas sempre com instrumentos. Nunca havia pensado em ser cantora. A escola então resolveu formar um coral, que tinha como regente o professor Waldir Pereira da Silva, por quem tenho eterna gratidão. Waldir me disse que eu cantava bem e me sugeriu fazer o teste para entrar para o curso de canto. Fiz o teste, passei e comecei a estudar com a professora Simone Santana, que me acompanhou por muitos anos (e até hoje me ajuda, enquanto colega). Também nutro muito carinho e gratidão por ela, que me incentivou muito, sempre!
 
E a quarentena trouxe muitas mudanças? 
Muito aprendizado e mudanças. Apesar de tanta dor que o mundo enfrenta, foi um momento em que cresci demais. Aprendi a amar a minha casa e a gostar de estar nela. Amava sair (risos). Fiquei mais com minha família e hoje valorizo cada segundo ao lado daqueles que amo. Precisei aprender a ensinar a distância, e isso é bom porque nos torna mais versáteis. Junto com minha mãe, fizemos um projeto de distribuir máscaras gratuitamente para quem precisava. Confeccionamos mais de 7 mil peças. Isso foi muito gratificante também. Aprendi a costurar, cozinhar (risos). Foi um período muito produtivo.

No decorrer da sua trajetória, você participou de festivais, óperas, concertos. Teve alguma apresentação que marcou de maneira especial?

Nossa, já perdi a conta das apresentações! Mas algumas nos marcam mais: as óperas, das quais fui solista (Suor Angelica, Les Troyens, La forza Del Destino); as participações em festivais, em especial em Juiz de Fora, no qual fui solista. As viagens com os corais também são sempre muito boas. Dentre muitas cidades, Aracaju, com o coral da Unimontes, e a viagem à Europa com o Coral Lorenzo Fernândez. Cantar a Habanera (ária de ópera francesa) na França foi uma responsabilidade enorme. E quanta emoção! Foi inesquecível!
 
Além do canto, você toca algum instrumento?
Um pouquinho de violão, teclado e um pouquinho (muito pouco mesmo kkkk) de piano.
 
Quais os próximos desafios?
Os maiores desafios ultimamente têm sido no campo dos estudos. Estou terminando duas pós-graduações e me preparando para concursos. E a docência que também tem sido um desafio.
 
Como tem se reinventado com os alunos nesses dias de isolamento?
O canto é uma disciplina de muito contato, de observação atenta, de consciência corporal, expressão. Realmente é muito difícil desenvolver essas habilidades de maneira remota. Mas temos feito o possível e a resposta dos alunos tem sido bem satisfatória!
 
O que a pandemia tem lhe ensinado?
A valorizar sempre nossa vida. Ter gratidão a Deus por tudo que nos permite viver. Estar ao lado dos amigos verdadeiros e da família!