Os vários cantos de Minas e as pessoas que ali vivem fazem parte do quarto livro de Ionete Magalhães. Advogada especialista em Direito Civil, Processual Civil e Direito de Família, ela percorreu estradas de terra, atendeu pessoas embaixo de tendas em praças públicas, levando a elas um pouco mais de informações e conhecimento sobre seus direitos.

“Construção Itinerante de Vida” é o resultado de uma volta ao tempo em que Ionete integrava o programa S.A.J. Itinerante, da Unimontes. Após dois anos de pesquisa, escrita, revisão, contatos editoriais, ela resolveu publicá-lo em formato e-book, em parceria com a Editora Unimontes. A obra pode ser acessada, de forma gratuita, no site da instituição. “É grande a minha satisfação e alegria em poder disponibilizar esse trabalho, que convido todos à leitura”. É com Ionete Magalhães o nosso bate-papo de hoje.
 
Como se descobriu escritora?
Não sei se digna da denominação “escritora”. Mas, foi algo natural, sem planejamento específico, após a defesa de minha pesquisa acadêmica no mestrado em Instituições Jurídico-Políticas, incentivada por comentários de alguns leitores especiais. Procurei os responsáveis pela Editora Unimontes, à época 2001/2002, e seguimos na organização e trâmites legais para a publicação da primeira edição do livro.
 
Qual o objetivo a alcançar com o livro Construção Itinerante de Vida? 
O objetivo, para livros em geral, entendo que é dar conhecimento de algo que se tem como interessante e/ou importante, resultado de esforço justificado, com consciência e responsabilidade do que estará público; mesmo sabendo que não é para agradar a todos. Quanto ao livro “Construção Itinerante de Vida”, o objetivo envolve, também, um viés de história recente, unindo ensino, pesquisa e extensão, que servirá como fonte de informação para várias temáticas sociais, nas diversas áreas do conhecimento.
 
Como foi o processo criativo de “Construção Itinerante de Vida”?
O Programa S.A.J. Itinerante iniciou como projeto de extensão, pertencente ao curso de Direito da Unimontes, em 2002, com objetivo central de prestar informação cidadã e jurídica “in loco”, ou seja, ultrapassar os muros acadêmicos, com professores e alunos (voluntários) presentes em comunidades, praças, zonas urbana e rural. Desde então, estive como fundadora, coordenadora e professora/orientadora. Em 2008, houve a transformação documental em “programa”, diante de sua amplitude de atividades e alcance regional, vez que, além dos atendimentos jurídicos itinerantes, já aconteciam muitas palestras educativas em escolas e outros ambientes apropriados; além de organização de congressos e seminários para o público mais acadêmico e profissional. Quando saí do Programa S.A.J. Itinerante, após quase 16 anos de atividades ininterruptas, fui incentivada por muitas pessoas capacitadas e mais experientes do que eu a registrar os anos de trabalho e resultados notoriamente reconhecidos nacionalmente, inclusive, tendo recebido premiação pelo Ministério da Educação.
 
Há alguma parte do livro que foi mais difícil ou marcou mais? 
Fiz questão de ter pesquisa de campo para enriquecer a minha escrita, haja vista que todas as atividades do S.A.J. Itinerante envolvem sair do lugar comum, ir a campo. Assim, fiz um recorte de tempo e fui buscar nomes de ex-acadêmicos voluntários para entrevistar, registrar suas impressões e, dessa forma, homenagear todos os que haviam passado pelo programa, desde a época de projeto. Gravar, anotar, organizar falas foi uma parte trabalhosa, mas extremamente prazerosa e emocionante, para todos os envolvidos.
 
Qual o perfil do leitor deste livro? 
Este livro é para a população em geral, e não apenas para a academia. É pequeno em páginas, intenso de serviço e leve nas relações humanas. Envolvem vários municípios de Minas Gerais e suas particularidades, centenas de acadêmicos, muitos professores, representantes sociais, instituições e autoridades colaborativas. 
 
Pensa em escrever outros? 
Pode ser. Mas, sem planos específicos, no momento. Quanto a trabalhos em geral, sim, porque estou sempre envolvida em pesquisas e possíveis publicações de artigos científicos.
 
Sentimento é de gratidão pelo que viveu no Programa S.A.J. Itinerante?
A minha gratidão é sem limites. Aos professores, acadêmicos e comunidades diversas, que estão em minha memória afetiva para sempre, mesmo não citando o nome de todos, para não pecar pela memória. O S.A.J. Itinerante continua no curso de Direito da Unimontes.

Ionete de Magalhães Souza nasceu em Bocaiuva e foi criada em Montes Claros. É graduada em Direito, pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes)