“Uma Gaveta” conta com a direção de Édila Magalhães, dramaturgia de João Rosa e atuação de Nayara Oliveira. O espetáculo nasceu com a proposta de ser apenas uma cena experimental, apresentada em 2019 com a participação dos mesmos artistas, trazendo a discussão do estupro. Agora, a peça vai estrear presencialmente, seguindo todos os protocolos de segurança e com limitação de público na Mostra de Teatro em 12 de novembro, às 20h, no Centro Cultural Hermes de Paula (CCHP). Os ingressos se esgotaram nas primeiras 24 horas de vendas, o que deixa o trio muito feliz em saber que o trabalho está sendo ansiosamente aguardado pelo público. Mas devido à demanda popular daqueles que não conseguiram garantir o ingresso, e ao número reduzido de lugares, existe a possibilidade de acontecer uma segunda sessão. Possibilidade que a direção estuda com muito carinho e que talvez se concretize em breve.

O Norte falou com João Rosa e Édila. Confira:

De volta aos palcos, conte-nos um pouco sobre o novo espetáculo “Uma Gaveta”.
João: Agora em 2021 o texto “Uma Gaveta” foi retomado com outra proposta, numa linguagem contemporânea e existencialista trazida por mim e contemplada pela direção e atuação, buscando um “flerte com a própria existência” através de um personagem que é intitulado de “Um Corpo Mulher”, proporcionando reflexões sobre as concessões da vida, quando ela já não se faz tão importante para o ser humano, e da morte como consequência. Afinal, estamos falando através de “Um corpo em Blecaute”. O texto traz elementos da vida em meio à morte e do corpo enquanto sujeito das ações, do pensamento enquanto matéria e do subconsciente enquanto um fardo natural. Da natureza autodestrutiva do ser humano, através do livre arbítrio limitado às nossas próprias situações.  
 
Durante o isolamento social, como vocês lidaram com a ausência física do público?
Édila: Uma das formas que encontramos foi fazer teatro online. Mantendo a adrenalina da condição ao vivo, mas migrando para plataformas de comunicação virtuais para transmitir nossos espetáculos. A presença virtual não substitui a presença física, mas nos trouxe uma possibilidade muito interessante e novas experimentações. 

Hoje, além de se preparem para o espetáculo, o que estão fazendo?
João: A Édila vem se dedicando ao meio acadêmico, os livros e artigos são seus companheiros diários e possui alguns projetos em andamento enquanto produtora cultural e diretora. Um exemplo desses trabalhos é “Uma Gaveta”, e a produção de um filme que ainda não pode ser descrito. Eu, além de professor da rede estadual, também me dedico ao meio acadêmico, à escrita dramatúrgica e alguns projetos culturais que estão aguardando aprovação para estarem presentes no ano de 2022 em parceria com Édila Magalhães. Já a Nayara também é professora da rede estadual, vem percorrendo uma caminhada como atriz e diretora, principalmente no atravessamento deste espaço digital que estamos vivendo com a produção de Curtas Metragens. 

O que têm aprendido com a pandemia?
João: Durante a pandemia, o cenário do teatro em Montes Claros, que já era difícil, veio adaptando algumas manifestações teatrais para o espaço digital. Muito do que se é discutido nesse momento é o quanto a arte se faz necessária em momentos de crise. O teatro, diferente do cinema, é uma arte do contato, e da presença, então voltar o contato com a plateia mesmo que de maneira reduzida ainda é muito gratificante.

“Vejo que nasci como peixe, mas passei a vida inteira com medo de me afogar...” (João Rosa)

“Existir, pelo menos por completo, pode ser algo entediante. Não que isso seja ruim, só peculiar...” (João Rosa)
 
“Invadiram a cabeça da mãe – um deles disse! O maior deles chegou a minha frente, deitou-se no meu colo e começou a chorar, chorar, chorar enquanto os outros ficaram de pé. Eu não tinha medo” (João Rosa)

 “Vejam os homens, tem mais gozo por guerras e calibre, do que pelas próprias mulheres” (João Rosa)

“A ratoeira”, “A última noite” e outros trabalhos no cinema, como o filme “Ligação” e “A Última Noite”, participando de festivais internacionais

Uma Gaveta
Onde: Centro Cultural Hermes de Paula
Quando: 12 de novembro, 20h
Os ingressos estão esgotados, mas há possibilidade de acontecer uma segunda sessão