A montes-clarense Felicidade Maria do Patrocínio Oliveira é uma pessoa simples, cheia de sonhos e projetos, que acredita no amor e busca a beleza que possa haver em toda a parte, inclusive, nas relações humanas. Artista plástica trabalha muitas técnicas, como xilogravura, pintura, mas, essencialmente, escultura e a cerâmica. Ama Filosofia e Literatura e gosta de escrever. Recentemente, lançou o livro de crônicas e contos “Plantando flores, pode-se colher tomates”, que está à venda no seu Ateliê/Galeria Felicidade Patrocínio, e, brevemente, nas livrarias da cidade.

Felicidade também é autora de “Ensaio”, livro sobre Filosofia, com edição de 100 exemplares esgotada no lançamento; e “Raymundo Colares e o Fogo Alterante da Criação”, uma biografia do mais famoso artista plástico montes-clarense, com crítica estética da sua arte, cuja edição foi patrocinada pela Prefeitura de Grão Mogol. Ela tem ainda mais três livros já escritos, à espera de tempo para organização e publicação.
 
O livro vem sendo muito bem recebido e apreciado pelo mundo da Literatura, não é mesmo? 
Sim, o prefácio é do maior escritor vivo do Norte de Minas, Petrônio Braz. E já recebeu seis artigos com comentários elogiosos, escritos e publicados por escritores da cidade. O lançamento foi na reunião de minha posse como acadêmica na Academia Montes-clarense de Letras (AML), no Centro Cultural Hermes de Paula. A orelha da capa foi escrita pelo escritor baiano/pernambucano Jorge de Azevedo.
 
Quando começou a escrever?
Esta pergunta levou-me à introspecção, ao meu palácio da memória, onde pude perceber, ainda nítidos, sinais que me indicavam certo destino para a arte literária. Lembrei-me de que sempre fui escolhida pelos colegas para os discursos das minhas formaturas. Lembrei-me de que, quando cursava Filosofia, já numa idade madura, no Dia dos Professores, querendo homenageá-los, escrevi um pequeno livro, o qual intitulei “Ensaio”, com artigos de cada disciplina, homenageando o seu titular. Qual não foi a minha surpresa quando, 20 dias depois, vi anunciado, em cartazes nas paredes da universidade, o lançamento desse livro no programa da semana Filosófica da Unimontes, que traria ao nosso meio grandes doutores da UFMG. Me apavorei, descobri ter sido iniciativa do professor Mércio Antunes, que diante da minha surpresa afirmou ser bom o pequeno livro. Dos 50 exemplares que eu publicara me restou um, então encomendei, urgentemente, mais 50, para atender àquele carinhoso incentivo.

Tem outro episódio também muito interessante com relação a sua inclinação para a Literatura, não é?
Sim, aconteceu ainda durante a minha graduação em Filosofia na Unimontes. Ao ler os cartazes anunciando o XI Concurso de Literatura: Compor Cruz e Souza, do Departamento de Letras, resolvi colocar no papel algumas ideias que habitavam minha mente. Enviei cinco trabalhos, todos com pseudônimos diferentes, e no dia do anúncio dos vencedores com entrega de prêmios em auditório, saí de lá com cinco troféus, os 1º, 2º e 3º lugares em contos, o 1º lugar em crônica e o 2º em poesia.  Foi um susto! Que, no entanto, me indicava o caminho das Letras. Mas o tempo foi passando, e como desde sempre fizera da família e das artes plásticas as prioridades da minha vida, não sobrava tempo para um apuro na escrita. Mesmo assim, talvez por um arrebatamento interior, vez ou outra, transbordavam na palavra escrita algum sentimento ou ideia e publicava em jornais e revistas, o que faço até hoje, tendo já mais de 100 artigos publicados. Em 2009, com o convite da primeira dama da Literatura de M. Claros, D. Yvone de Oliveira Silveira, por muitos anos presidente da AML,  integrei-me ao grupo que fundou a Academia Feminina de Letras, instituição que  presidi com muita satisfação no biênio 2018/2019 e passei a escrever e publicar um pouco mais. Como presidente desta casa das letras , com ajuda das confreiras, instalei sua sede própria em um casarão tomado pelo patrimônio histórico e restaurado por nós, fundei em outro espaço a Biblioteca do Autor Montes-clarense Maria das Mercês Paixão Guedes, que já conta com mais de 2000 livros dos quais, mais de 1000 títulos diferentes .Lancei uma Antologia com a participação de todas através  de seus textos literários. Providenciamos também o lançamento aqui na cidade, da Antologia Internacional “A Arte de Ser Mulher”, com participação da maioria das nossas acadêmicas, para citar pelo menos três dentre as nossas realizações.

Como se aproximou dos movimentos culturais da cidade?
De maneira natural, devido à identidade com a cultura e a prática das artes. Primeiramente, uma experiência gratificante, como uma das fundadoras da Associação dos Artistas Plásticos da cidade, entidade esta que presidi por três gestões. A seguir, a convite, fui me integrando a outras entidades, voltadas ao trabalho social e/ou cultural, como clubes de serviço, Rotary, movimentos de igreja, Academia Feminina de Letras, Instituto Histórico e Geográfico e outras, às quais seleciono, sirvo e usufruo com legítima alegria. Desde 2011, tenho dedicado um esforço mais concentrado ao ateliê, galeria de arte e Clube de Leitura que criei, cujas atividades são inteiramente voltadas à cultura e abertas ao público em geral.
 
Como é o funcionamento do ateliê?
Um espaço cheio de luz e beleza, onde se pratica arte da melhor qualidade. Construído para atender à minha produção plástica, estendeu-se à Literatura, quando criei o Clube de Leitura. Como o espaço ficou grande, convoquei alguns artistas de reconhecimento comprovado para transmitirem a alunos as suas experiências artísticas, através de aulas. E é assim que ministramos hoje, nas suas dependências amplas e arejadas, aulas de várias modalidades de arte.

Tenho dedicado esforço mais concentrado ao ateliê, galeria de arte e Clube de Leitura que criei, cujas atividades são voltadas à cultura