Inspirado em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de Glauber Rocha, e nas simbologias do candomblé, o videoclipe “Santos Orixás” está entre os quatro finalistas do Music Video Underground Festival, em Paris. O videoclipe é um dos trabalhos deste ano da artista Karen Nascimento, paulista de 32 anos radicada em Montes Claros, onde vive há 20.

A alegria de ter “Santos Orixás” entre os quatro selecionados pelo júri como Best Music Video trouxe a ela ainda mais certeza do caminho a trilhar.

O prêmio tem como proposta dar visibilidade a videoclipes, música, filmes de dança, de novos artistas, com o objetivo de dar a eles o reconhecimento pelo talento que apresentam.

Karen Nascimento começou os estudos de música aos 12 anos por influência do pai, que lhe deu seu primeiro violão, depois ainda ela se apaixonou pela flauta. Daí, para o curso de canto erudito no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernândez (Celf) foi um pulo.

Tornou-se licenciada em música pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e mestre na mesma área pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Desde então, ela e a música estão sempre misturadas. A artista foi uma das integrantes do grupo Acadêmicos do Samba, onde deu início aos primeiros trabalhos de forma profissional. É uma das fundadoras da banda Fulô do Sertão, grupo composto por quatro musicistas, que tocam rearranjos do forró pé de serra. É com ela nosso bate-papo.
 
Conte um pouco sobre o lançamento do videoclipe:
Em 2020 lancei, de forma independente, meu primeiro trabalho autoral, o single Santos Orixás, com produção musical de Rafael Carneiro, do estúdio Guella Music. Neste ano o clipe oficial da canção, com apoio da Lei Aldir Blanc, no âmbito do Estado de Minas Gerais. O clipe, dirigido por Guilherme Monteiro e Emanuel Kaauara, busca implementar simbologias da cosmologia yorubá, principalmente as que dizem respeito ao candomblé. Desde o cenário, é possível perceber o diálogo entre os elementos da natureza que correspondem aos orixás, como a terra, o céu, o ar, a floresta, passando pelo figurino, até e a maquiagem, com os búzios, o ouro e a cor dourada representando a prosperidade.
 
Parte da inspiração para este vídeo veio da obra de Glauber Rocha, não é?
Sim, da trama teatral de “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. No filme, o personagem percorre do inferno ao céu, em uma representação da busca épica do herói. No clipe “Santos Orixás” essa referência se dá principalmente pela locação – um ambiente quente e árido –, a agressividade e a falta de perspectiva que esse lugar leva à protagonista, caracterizando seu incômodo e dualidade durante toda a trama.
 
Como foi a repercussão?
O clipe também teve repercussão na grande mídia, estreou no quadro Bafros do Programa Trance Trands Brasil, da Globo Play, e também entrou para a lista dos Melhores Clipes Independentes de Julho/2021 – Hits Perdidos, sendo semifinalista do Music Video Underground Festival (Paris, 2021), ficando entre os quatro selecionados pelo júri como Best Music Vídeo.
 
Como foi para você receber a notícia que o videoclipe foi semifinalista no Music Video Underground?
É incrível receber reconhecimento pelo nosso trabalho, ainda mais em um festival internacional. Ser artista independente é uma luta diária e ter esse reconhecimento significa que estamos no caminho certo! E ninguém consegue chegar a lugar algum sozinho. Sou muito grata a minha equipe de trabalho que esteve comigo desde o início nesse projeto, principalmente o Guilherme Monteiro e Emanuel Kaaura, que dividiram a direção do videoclipe. 
 
Como você vê a cena cultural no Norte de Minas nos últimos anos?
O Norte de Minas é um celeiro de artistas, as minhas maiores influências são da música mineira. Vejo a cena cultural do Norte em forte ascensão. Temos grandes artistas que saíram daqui e ganharam repercussão nacional pelos seus trabalhos, como a cantora Marina Sena. Temos também aqueles artistas que se dedicam e se mantêm aqui mesmo na região, levando e sustentando o acesso à arte aqui mesmo no Norte de Minas.
 
Tem projetos para um futuro próximo?
Planos para o futuro é o lançamento do meu disco autoral, que está em fase de produção. Recentemente fui selecionada com outras artistas mulheres da cena musical nacional para o Arte Sônica Amplificada (ASA), programa da Oi Futuro e British Council, que tem o objetivo de impulsionar a equidade de gênero na indústria musical brasileira por meio da capacitação de profissionais identificadas como mulheres, que atuam em toda a cadeia produtiva do som e da música. Então estou bem otimista com essa nova conquista, a fim de conseguir conquistar networks com outros artistas e festivais de música pelo Brasil e pelo mundo.

Para acompanhar o trabalho de Karen Nascimento:
Instagram: @karennascimento 

Youtube: KarenNascimento

Music Video Underground: musicvideounderground.wordpress.com/november-2021-hg45/