
Maju Rodrigues, aos 21 anos, já carrega no currículo uma trajetória que muitos artistas levam décadas para construir. Natural de Montes Claros, no Norte de Minas, ela deixou a cidade ainda jovem para transformar a dança em profissão e, desde então, vem percorrendo diferentes palcos e regiões do país. Entre ensaios, viagens e grandes apresentações, Maju passou a integrar o balé de artistas e bandas de destaque nacional, como Parangolé, Tony Salles e Xand Avião, além de ganhar os holofotes como a tão ovacionada loira do É o Tchan.
Mais do que acompanhar artistas nos palcos, Maju encontrou na dança uma forma de expressão e construiu sua própria identidade profissional. A menina que saiu de Montes Claros em busca de espaço hoje vive a rotina intensa de quem transforma movimento em carreira, colecionando experiências e histórias pelos quatro cantos do Brasil.
Como a dança surgiu em sua vida? Teve alguma referência próxima a você?
A dança e a música sempre estiveram comigo. Mas, d os quatro aos cinco anos de idade, minha mãe sempre muito ativa precisou me levar com ela para a academia e ali eu comecei a presenciar as aulas de “Aerobahia” ministradas pelo Wagner Pedrosa, conhecido como Wagner Swingueira, grande dançarino que teve participação direta no meu encanto não só com a dança, mas com a cultura baiana.
Quando você decidiu seguir, de fato, a carreira de dançarina , seus pais apoiaram ?’
Como filha eu sempre busquei passar segurança a eles e diante disso foi como um “tudo bem, só não podemos bancar isso”. Me surpreendo até hoje com a confiança e sensibilidade que tiveram comigo quando eu tinha apenas 16 anos - viver da dança na maioria das vezes envolve abdicações e a preocupação familiar é válida. Como vocês já sabem mesmo diante de todas as dificuldades, fui à luta!
Você também atua como coreógrafa. Entre as músicas já coreografadas, existe alguma especialmente marcante?
Ainda em solos montes-clarense estive à frente do processo de criação das coreografias para a Banda Sambacana, ainda nos dias de hoje algumas das minhas criações fazem parte do repertório, incluindo o grande sucesso “Eu tive um amor” de 2024 onde eu assino a coreografia do refrão que foi reproduzida por todo o Brasil!
Acredita que ser a loira mais famosa do axé brasileiro, a do É o Tchan, foi a realização de um sonho?
Um sonho que eu nem sabia que poderia ser realizado, logo no início brincava estar realizando o sonho da minha mãe e rapidamente compreendi que mulheres espalhadas por todo o mundo sonharam em integrar a banda É O Tchan. Entre elas tantas mineiras que puderam ser representadas no time das loiras pela primeira vez, daí em diante me realizei a cada olhar nostálgico, cada lágrima, cada sorriso, cada abraço, cada mensagem de carinho, foi mágico!
Você “embarcou” no avião do Xand onde tinha que dançar com outra pessoa. Como é essa parceria ?
O trabalho com Xand Avião me desafiou em vários sentidos, novo estado, nova musicalidade, nova técnica, novo plano coreográfico num geral. Dançar em dupla é sim desafiador, mas costumo dizer que nós dançarinos em cena somos um só, em dupla ou não, rapidamente nos conectamos profissionalmente em um só corpo de baile. Estive com profissionais, não só dançarinos, mas professores excelentes, incluindo o meu par durante a turnê, Aprigio, dançarino cearense que foi parte essencial dentro dessa experiência transformadora.
Quando você está ali no palco dançando, o que você gostaria de dizer para a Maju de oito anos de idade?
Se eu dissesse que a grandeza e força que habita nela é maior do que ela imagina, isso a assustaria porque já se achava a menina mais forte do mundo. Então eu só a diria para continuar sendo criança, mesmo que só, a criança que inventa mil cenários, se fotografava, dança em frente ao espelho por horas, canta, decora falas, desenha o que vê, a Maria Júlia que me trouxe até aqui.
Qual o maior desafio em ser dançarina?
Entre tantos como, a vulgarização, a falta de regulamentação dos nossos direitos, o descaso diante de uma rotina desgastante para alta performance, o alerta para situações de assédio e violência que atinge diretamente nós mulheres e é muitas vezes negligenciado dentro do meio artístico, ambiente altamente competitivo. Para mim como artista e como pessoa a ausência é e sempre será um desafio árduo, muitas das vezes perdemos momentos importantes e datas comemorativas com nossa família e amigos arriscando nossas vidas na estrada em prol dos nossos sonhos e do entretenimento.
E há algum tempo você começou a cantar. Como a música surgiu em sua vida?
História curiosa é que sempre fui cantante, até antes de me entreter com a dança. Quando criança tive muitas apresentações escolar envolvendo a música e em 2018 quando comecei a postar vídeos no Instagram variava entre vídeos dançando e vídeos cantando, tocando violão ou ukelele. A dança acabou se destacando e exigindo certa dedicação, por muitos anos o canto foi algo particular meu, mas hoje já demos início a uma nova etapa, cantando cada vez mais para todos vocês!
