Grand Forks, nos EUA, é uma cidade relativamente pequena, com quase 60 mil habitantes, mas que respira a cultura que emana da Universidade da Dakota do Norte. É lá que reside o pianista montes-clarense Thiago André, onde faz mestrado em piano performance.

Na fase dos estudos, o músico está trabalhando no recital que precisa apresentar na conclusão do mestrado. Além de um recital público, o pianista precisa usar seus 50 minutos de prova apresentando peças memorizadas, três diferentes períodos da música clássica e, ainda, uma dissertação para ser aprovado.

A dissertação será entregue em março, mas o recital será neste domingo (31). Por conta da pandemia, Thiago André ainda não sabe se terá a presença de plateia, com pessoas de seu contato mais próximo, colegas de apartamento e professor.

“Então pode ser um pouco estranho não ter aplausos durante o intervalo das peças. Isso é algo que ainda estou tentando resolver com a direção da escola”, conta. O repertório a ser apresentado é resultado de um ano de trabalho com o professor e diversos amigos que o ouviam de vez em quando e davam sugestões.

A seleção inclui Domenico Scarlatti: Sonata em Fá menor, K466, L.v.Beethoven: Sonata para piano n.17 em Ré menor e Op.31 n.2 (A tempestade) Modest Mussorgsky: Quadros de uma exposição.
 
MARCO
Durante a trajetória, o músico conta que o recital de formatura em bacharelado pela UFMG foi um marco para ele. Estava rodeado de pessoas queridas e pôde sentir a vibração de cada um no palco. Também se emociona ao falar que todas as vezes que toca em Montes Claros é sempre gratificante, além, é claro, de visitar o conservatório, ver onde cresceu e teve sua base musical.

Outro marco foi a turnê com o Coral da Universidade americana. “No fim do ano passado, fui convidado para tocar com o coral da universidade aqui em Grand Forks, em uma turnê pelo Estado. Isso só aconteceu porque o pianista original do grupo cancelou, e faltando duas semanas para a turnê, o regente me pediu para tocar com eles”, conta.

Thiago André teve poucos dias para aprender um repertório desafiador e poucos ensaios. A turnê aconteceu e foi um sucesso. Durante cada concerto, o regente fazia questão de apresentar o músico montes-clarense e dizer que ele era do Brasil, o que sempre o deixava emocionado.

“Após os concertos, sempre vinha alguém elogiar ou fazer algum comentário sobre o Brasil, feijoada, cachaça e outras coisas”, diz. Para o músico, levar o nome do país, do Estado em que nasceu e, principalmente da cidade natal, é desafiador e gratificante.
 
PROJETOS
Focado na conclusão do mestrado, Thiago André ainda não tem planos de voltar ao Brasil, mas espera poder visitar familiares e amigos em breve. Quanto à pandemia, ele diz que a vida de músico é muitas vezes solitária, já que passam horas e horas fechados em uma sala tendo somente o instrumento como companhia, mas afirma que foi algo muito difícil no início.

“A escola estava fechada, todas as aulas estavam on-line. A escola emprestou um piano de armário para cada aluno internacional. Com o passar dos dias, as coisas foram ficando mais leves, pois comecei a me engajar em projetos pessoais, a aprender mais repertório, então o meu dia estava sempre cheio de música”, revela.