Jerúsia Arruda


Repórter


jerusia@onorte.net



Depois de ser assistido gratuitamente por mais de 6.000 crianças da rede municipal de ensino de Montes Claros em 2001 e 2002, com incentivo cultural da Lei Rouanet, o espetáculo Pedro e o Lobo, homônimo do clássico infantil russo e adaptado pelo bailarino e coreógrafo Paulo di Tarso, volta em cartaz, dessa vez em oito cidades do Norte de Minas Gerais, a partir do dia 12 de novembro. As apresentações acontecerão gratuitamente em noites de domingo, em praça pública das cidades participantes do circuito, em estrutura cênica montada especialmente para o espetáculo.



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As apresentações acontecem nas noites de domingo em estrutura cênica montada especialmente para o espetáculo


(fotos: Bruno Rocha)



Pela segunda vez contemplado com benefício de incentivo cultural - foi aprovado em dezembro do ano passado pela Lei estadual de incentivo à Cultura, que possibilita a dedução de até 80% do investimento no ICMS -, o projeto tem como objetivo diversificar o universo artístico das comunidades, despertar as percepções acerca da arte e da cultura, criar novos parâmetros de visão de mundo, principalmente para as crianças, além de promover diversão, lazer e entretenimento de forma saudável e informativa.



A primeira apresentação será em Capitão Enéas, no dia 12 de novembro. As outras sete cidades participantes do circuito são Francisco Sá, Janaúba, Bocaiúva, Pirapora, Coração de Jesus, Curvelo e Januária.



PEDRO E O LOBO



nullQuando encomendou a Serguei Prokofiev a peça sinfônica, o Teatro Infantil de Moscou tinha em mente um material didático que pudesse auxiliar as crianças a distinguir os timbres dos vários instrumentos que compõem uma orquestra. O compositor elaborou então um roteiro onde cada personagem seria identificado por um instrumento musical executando uma melodia específica. A ação passou a ser narrada pelos temas e é possível acompanhar sonoramente a empolgante aventura do garoto Pedrinho e seus amigos (o astuto gato, o ágil passarinho e a afetiva pata) que saíram da casa do avô, na captura de um terrível lobo que ameaçava a aldeia. O triunfo de Pedrinho foi também o triunfo da obra musical. Prokofiev entregou ao mundo uma das mais ricas composições direcionadas ao público infantil.



De 1936 até os nossos dias, Pedro e o Lobo vem inspirando grandes artistas que criaram versões para o teatro, dança, teatro de bonecos, por todo o mundo. Por fim, a peça teve sua sagração ao cair no gosto de Walt Disney, que a reproduziu em desenho animado, consolidando sua importância no imaginário infantil e seu caráter universal.



Na versão criada pelo coreógrafo Paulo di Tarso a linguagem cênica possibilita a comunicação com o público, preservando o sentido lúdico da peça.



DITARSO



Ainda na adolescência Paulo di Tarso descobriu que a forma de expressão ideal para extravasar sua veia artística era a dança e desde então vem se dedicando à arte que enche os olhos e encanta corações. Em sua trajetória passou por grandes companhias como o Ballet da cidade de São Paulo e Grupo Corpo, onde recebeu  formação em ballet clássico e dança contemporânea, conquistando sua profissionalização. Em 1992 decide investir na carreira de coreógrafo e, de forma intuitiva, vai para a Alemanha, onde teve contato com criadores da dança moderna, como Pina Bausch. Ainda na Europa traça os planos para crescer como coreógrafo e decide voltar a Montes Claros, sua terra natal, criando o Grupo Ditarso.



O grupo formado por estudantes das várias escolas de dança da cidade e jovens que, apesar do interesse, ainda não haviam vivenciado a arte, inicia sua atividades em 2001. Segundo Paulo di Tarso, o objetivo era a construção de um  grupo profissional que permitisse a todos o exercício de sua arte com dignidade. Além da formação técnica, os alunos passaram a conhecer o universo da dança em todas as suas vertentes, participar de seminários, oficinas e cursos, assistir a espetáculos de outras companhias de todo país, absorvendo novos elementos de forma que pudessem desenvolver suas potencialidades e aflorar sua identidade artística.



PROJETO



Patrocinado pelo Café Letícia, o projeto será executado em sintonia com o primeiro objetivo do milênio estabelecido pelo programa das Nações Unidas pelo Desenvolvimento, que é erradicar a extrema pobreza e fome, nesse caso, erradicar a extrema pobreza e fome artísticas como uma maneira de ajudar o Brasil a alcançar a meta, já que crianças e adultos de cidades consideradas pobres e com pouco acesso à arte estarão em contato com um clássico do teatro mundial. Foi com essa proposta que Pedro e o Lobo conseguiu aprovação de crédito federal e estadual, concorrendo com companhias de grande porte das capitais do país.



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De acordo com a assessoria de comunicação do grupo, com uma nova formulação, além de levar o colorido e a sonoridade do espetáculo, as apresentações também evolvem as escolas das cidades visitadas, que receberão personagens da peça na semana que antecede o dia da apresentação. Eles conversam com as crianças e adolescentes, pedindo ajuda para encontrar o lobo. Os alunos também serão incentivados pelas professoras a fazerem trabalhos escolares sobre a peça para que a experiência seja fixada na memória das crianças.



Em Capitão Enéas, localizada a 45 km de Montes Claros, o espetáculo acontece no dia 12 de novembro, às 20h30, na rodoviária da cidade, na Avenida Castelo Branco.