A professora universitária e doutora em Ciências Sociais Juliane Leite Ferreira mostrou pela web que é uma avó coruja. O primeiro neto, Heitor, nasceu na última quarta-feira, 13, em Montes Claros, e trazendo uma enorme expectativa e amor. Ela conta, que no início, a família ficou alarmada por se tratar de gestação não planejada – a mãe de Heitor usava DIU – e pelos desafios que a pandemia trouxe.

“Além das lembranças das gestações próprias, com os devidos cuidados e mudanças definitivas em cada vida, tínhamos ali que lidar com a situação agravada por este período perverso da história da humanidade’, diz Juliane.

Os cuidados foram intensificados e as restrições sociais também.

“Todos os membros próximos da família fizeram testes e evitaram uma aproximação maior. Os contatos foram minimizados, as ligações coletivas se deram nos grupos sociais e as visitas à gestante quase sempre foram virtuais”, diz. 

Por enquanto, o bebê ainda está no hospital, sob os cuidados da mãe, que pretende gravar clipes diários para os amigos enquanto a pandemia estiver por aqui. 

“No hospital, apenas o pai e eu tivemos acesso. Os outros avós estão no aguardo, com enorme expectativa. No mais é agradecer por estarmos vivos e pela nova vida que nos é dada como presente divino”, diz.

Já para a mãe de Heitor, Maria Fernanda Leite, médica generalista, foram necessários cuidados redobrados durante a gestação.

“Felizmente, Heitor nasceu saudável, apesar da vigência da pandemia de Covid-19 em nosso meio. A presença de uma criança cheia de vida e energia é motivo de conforto e esperança para nós. Durante os últimos meses, momentos antes compartilhados em família, passaram a ser separados em pequenos grupos, cuja união se fazia por telas, à distância. Revelação da gestação, do sexo do bebê, notícias sobre o crescimento e desenvolvimento passaram a ser divulgadas de maneira remota”, revela. 

Tais barreiras não tiraram a importância e a emoção do momento. A família se reinventou para que mesmo distantes, todos estivessem conectados para bem receber o novo membro da família. 

“Como médica, redobramos o cuidado, utilizamos EPIs e seguimos todas as recomendações científicas para evitar o contágio. Com o avanço da pandemia e o aumento do número de casos da doença, fui afastada no sexto mês de gestação, para trabalho domiciliar. Desafios que tornaram o gestar mais conturbado, mas que não impediram que vivêssemos o esplendor do momento”, diz.

Para Rosimeire Aparecida de Sá, psicóloga clínica em Terapia Familiar Sistêmica, estamos em um tempo em que novas possibilidades de relacionamento se fazem presentes diante da pandemia.

“Isolamento social diante do novo coronavírus não é sinônimo de não expressão de afeto, em especial dos avós em relação aos netos que estão nascendo. Há várias formas de amenizar este quadro, sendo um deles, a prevenção. Digo prevenção no cuidado emocional dos avós, no sentido de trabalhar com antecipação a mudança e esclarecimentos quanto à nova forma de ‘acolher e conhecer o novo membro da família’ que outrora era permeado pelo estar presente na maternidade ou na casa, quando o bebê chegasse”, diz.

Segundo a psicóloga, quando mais precocemente for falada e tratada a temática da ausência física com os futuros avós, melhor será vivenciada a situação. 

Outra questão seria o novo formato do início do estabelecimento da relação afetiva entre os avós e os netos. Poder-se-ia pensar em algumas alternativas como a produção de vídeos comunicando o nascimento da criança e retratando o dia a dia.

Em resposta, os avós poderiam retornar uma vídeo chamada permitindo uma vivência mais aproximada. Outra possibilidade é a produção artesanal de um mimo pelos avós para o bebê, de forma a fazer um registro afetivo de todo o sentimento vivenciado pela chegada do novo membro. 

“São pequenas, mas marcantes, as formas de criar e manter um vínculo de amor. Focar na parte positiva do início de uma história familiar diz muito mais da atitude criativa que das limitações que estão estabelecidas em virtude da Covid 19, bastando cada família pensar o que é mais significativo para esta família”, conta. Heitor deve ir para casa na manhã desta sexta-feira, 15, onde vai construir sua rede familiar e sua relação afetiva.