Com o isolamento social, as pessoas começaram a se interessar mais por plantas. Independentemente se moram em apartamento ou casa, cultivar um jardim pode trazer muitos benefícios: melhora da qualidade do ar, as plantas são umidificadoras naturais do ambiente, cultivá-las ajuda a relaxar e reduzir o estresse, sem contar a beleza que proporcionem ao lar.

Que o diga Aramita Barral de Oliveira, de 75 anos. Para a microempresária, dona de uma floricultura, a pandemia tem mostrado a importância dos amigos, de estar perto de quem ama e de cuidar mais da própria alimentação. Ela aproveita para dar valiosas dicas para plantar e cuidar do jardim.
“Desde o ano passado, percebo uma preocupação maior das pessoas em tornar o espaço da casa mais aconchegante. Cresceu bastante a busca por produtos medicinais e de horta. Esse esforço por harmonizar a casa inclui as plantas, mesmo nos menores espaços”.
 
Como é celebrar 50 anos dedicados à Floricultura Aramita?
Comemorar tantos anos de um negócio no Brasil é celebrar uma conquista. Passamos por diversas fases difíceis da economia, em termos nacionais, e lidar com um produto que exige tanta água, que é tão perecível, é o grande desafio em termos regionais. Então, é um tempo de celebração e alegria, apesar do contexto de tanta dor trazido pela pandemia! A sensação é a de que valeu a pena. Criei meus filhos com a floricultura, ou melhor, dentro dela. Meus netos também a reconhecem como nosso espaço. Isso, sem falar nos amigos e amigas que fiz dentro do quintal, sob a minha varanda. Destaco ainda que eu não teria trabalhado tanto tempo no ramo sem a contribuição de ótimos funcionários. Hoje, a maior parte dos que me apoiam na floricultura estão comigo há mais de 15 anos e devo muito a eles.
 
Como começou o seu interesse pela área de paisagismo? 
Como muitos norte-mineiros, nasci no interior (em Botumirim) e vim estudar em Montes Claros aos 11 anos. Meus primeiros anos da infância se desenrolaram entre a casa na cidade e seu grande quintal, que era meu mundo, e a fazenda. Eu era uma menina tímida. A filha caçula temporã. Talvez, isso explique a importância da paisagem na minha vida. Sempre gostei muito de plantas. 
 
Tem uma história da primeira plantinha que você vendeu. Que plantinha foi essa?
A primeira planta que vendi é chamada carinhosamente na nossa região de Tapete de Rainha (Episcia cupreata). Mas, nem sei dizer quem foi o (a) primeiro (a) freguês (esa)... As pessoas passavam, viam o meu quintal, paravam para admirar, perguntar como cuidava das plantas, pedir mudas e começaram a pedir para comprar. Como gosto muito das epícias, elas chamavam a atenção perto do meu portão, que era vazado. Lembro de um final de dia em que pensei: “hoje, vendi uma planta”! Mas, mesmo intimamente, nunca tentei lembrar quem foi o (a) primeiro(a) a comprar. Minha grande satisfação é estar vendendo para a terceira geração de algumas famílias. Tenho até uma pequena amiga, daquelas que chamo de “freguesas do futuro” – a Céu –, que vem sempre com a mãe e me desenha em suas visitas.
 
Houve dificuldades no início? 
Muitas! Tanto pessoais, por trabalhar fora como professora e ter quatro filhos, como por ser tímida. Do ponto de vista do negócio, pesava o fato de estarmos localizados “muito longe” do centro, 50 anos atrás. Hoje, quando penso nesse aspecto, ele parece até engraçado. É incrível pensar como a cidade cresceu. Quando eu comecei, fazia muitas mudas que eram plantadas nas latas de óleo Mariflor, depois, passei a comprar saquinhos de leite, fornecidos pela Padaria Montes Claros. Os vasos eram feitos de cimento pesado e chamados de caqueiros. Hoje, contamos com grandes fornecedores, muito especializados para embalagens cada vez mais finas e bonitas. Outro aspecto que pesava no início era nossa dificuldade para ter acesso às novidades. Mas, aos poucos, além de conseguir negociar com vendedores de BH e de Barbacena, que vinham para cá de kombi, passamos a contar cada vez mais com rotas de fornecedores paulistas, que nos abastecem com grandes caminhões, especialmente, vindos de Holambra.
 
Quais as plantas mais usadas na cidade? Qual é a preferência do norte-mineiro?
Podemos dizer que os norte-mineiros acompanham bem as “modas” do paisagismo. Hoje, quando vamos a um dos grandes condomínios em volta de Montes Claros, vemos jardins como muito verde e folhas coloridas que formam arranjos. Nos apartamentos e casas menores, na área urbana, cresce o interesse por rosas do deserto, suculentas, cactos, bonsais e plantas tidas com purificadoras do ar, como o spatifilus. Outro aspecto que caracteriza nossa relação com as plantas no Norte de Minas é nossa paixão pelos pomares. Com a pandemia, cresceu o interesse por formar uma chácara nos arredores das cidades. Sempre vendi frutíferas e ornamentais. Dentre as frutíferas, destaco nossa paixão pelos cítricos e nossas frutas tropicais. Nos anos 1990, as frutas europeias, como as maçãs e peras, foram adaptadas ao nosso clima e começaram a ser mais procuradas. Mais recentemente, há uma década, cresceu o desejo por frutos do Cerrado. Então, comecei a vender mudas de pequi, panã ou araçá, por exemplo.
 
Quais plantas você mais gosta?
Tenho uma predileção pelas orquídeas, mas destaco ainda minha paixão por suculentas.
 
Para se conservar aquele jardim cheio de vida, quais são as dicas da Aramita?
A principal dica é quanto à molhação. Hoje é comum a presença de orientações nas próprias embalagens das plantas. Então, procuro lembrar aos clientes que essas recomendações são válidas para temperaturas mais amenas. No Norte de Minas é preciso verificar constantemente a umidade das plantas, especialmente, dos vasos. É importante também uma adubação balanceada, que também pode ser conseguida com bons produtos, que vão além do esterco e palhas secas.
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"Minha grande satisfação é estar vendendo para a terceira geração de algumas famílias", Maria Aramita Barral de Oliveira, microempresária