Depois de um ano como o de 2020, nada melhor do que doces bonitos e saborosos no cardápio das festas de Natal e Ano Novo para fazer um carinho no coração de todos e juntar a família ao redor da mesa. 

Para o Natal, a confeiteira Sandra Jabbur tem apostado em sabores que remetem à data, como figo, passas com vinho do Porto, cereja e castanhas (amêndoas, nozes, pistache, avelã, castanha de Caju). Para o Réveillon, o foco é nos acabamentos em branco e dourado, além dos doces com ampolas de bebidas.

“A novidade no mundo de doces é a comfort food (comida afetiva), apostar em receitas que nos fazem sentir ‘em casa’. O momento combina com sabores que nos remetem à infância. Os bons e velhos brigadeiros, cajuzinhos, ninho e beijinho estão na moda”, diz. Outra tendência é o doce caramelizado. E Sandra Jabbur vai compartilhar com os leitores de O NORTE uma receita.

Sandra é formada em Administração de Empresa, compôs o quadro executivo de uma multinacional em Belo Horizonte durante 22 anos, até voltar à sua terra natal, em 2017. Os planos mudaram e a doçura invadiu a vida da administradora. 

“Tomei uma decisão de voltar para Montes Claros para proporcionar às minhas filhas, Beatriz e Ruth, uma infância próxima à família e com a avó ao lado”, diz.

Ela conta que a oportunidade de se dedicar à confeitaria começou quando resolveu fazer os doces no aniversário das filhas. “Foi o acaso que apontou tudo para mim. Aí a Katia, minha prima e grande incentivadora, me encomendou para o aniversário do filho Baruc e o movimento tomou rumo”.

Outra grande incentivadora do novo projeto foi a irmã Claudia, que faz doces há mais de 20 anos em Belo Horizonte e a ensinou a base de tudo. “Nunca me vi capaz, em algum momento da vida, de fazer algo tão delicado. Sou completamente desajeitada. Mas foram minha inquietude e persistência quem me profissionalizaram”, diz Sandra.

A confeiteira conta que errou muito, fez cursos, testes, imaginou sabores, misturava e errava de novo. Por fim, nasceram 57 sabores. “A construção de um novo doce requer testes e uma escuta ativa de quem consome. Seu público é seu melhor termômetro”, garante.
 
CARREIRA 
Como o ingresso no mercado de trabalho pode ser desafiador para quem está prestes a celebrar 50 anos, uma possibilidade que a confeitaria oferece é o trabalho autônomo. “Pensa! Comecei uma nova carreira e uma nova função aos 46 anos. Sou a prova de que é possível começar do zero qualquer atividade. Parece clichê, mas nunca é tarde”, diz Sandra. 

Os clientes chegam até ela para comemorar gravidez, nascimento, batismo, aniversário e casamento. “Faço parte da felicidade de cada um que me procura. Doce é comemoração, é felicidade. Ninguém chega triste aqui. Me aproveito dessa energia de fazer parte dos bastidores de felicidade”, celebra.
 
PANDEMIA
Com os cancelamentos das festas por causa da Covid, Sandra começou a fazer caixinhas de doces para presentear, o que, segundo ela, tem sido um sucesso. “Presentear com doces artesanais, encomendados, tem um significado maior para quem recebe. Afinal, foi escolhido, feito sob medida para alguém! É um presente sem erros, atinge qualquer classe social e cobre a velha pergunta: ‘o que dou para Fulano, ele tem tudo’... Doce é carinho, é afeto. Já dizia Chico Buarque: Com açúcar, com afeto, fiz seu doce predileto”.

RECEITA
Receita para caramelizar
2 xícaras de açúcar
1 xícara de água
2 colheres de vinagre branco
 
Coloque todos os ingredientes numa panela e mexa antes de acender o fogão. Após ficar homogêneo, acenda o fogo e não mexa mais, apenas aguarde atentamente a temperatura atingir 145 graus.

Use um termômetro culinário, custa em média R$ 30.

Faça seu doce no dia anterior e o deixe “secar”. Coloque em um palito para ajudar na hora de caramelizar, assim seu caramelo ficará fino e com poucas “sobras”. 

Mergulhe no caramelo com muito cuidado e coloque o doce numa superfície untada. Qualquer doce pode ser caramelizado.