Cinema mineiro

Museu Regional recebe exibição gratuita do longa ‘Natureza Morta’

Leonardo Queiroz
leonardoqueiroz.onorte@gmail.com
Publicado em 25/05/2026 às 19:00.
“Natureza Morta”, longa de Clarissa Moebus Ramalho, será exibido nesta terça (26), às 19h, no Museu Regional de Montes Claros, pelo Cinemontes da Universidade Estadual de Montes Claros (Divulgação)
“Natureza Morta”, longa de Clarissa Moebus Ramalho, será exibido nesta terça (26), às 19h, no Museu Regional de Montes Claros, pelo Cinemontes da Universidade Estadual de Montes Claros (Divulgação)

O Museu Regional do Norte de Minas recebe nesta terça-feira (26), uma sessão com a exibição do longa-metragem “Natureza Morta” (2020), dirigido e roteirizado por Clarissa Moebus Ramalho, professora de roteiro e oficina de audiovisual do curso de Cinema da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A apresentação acontece às 19 horas, com entrada gratuita.

Com duração de 110 minutos, o filme é ambientado em 1888 e encerra a trilogia “Inquietante Estranheza”, iniciada em 2010 por Clarissa Moebus em parceria com o cineasta Ricardo Miranda (1950-2014), que também foi diretor da TV Brasil e professor da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro.

Nos primeiros filmes da trilogia, “Djalioh” e “Paixão e Virtude”, ambos inspirados em contos do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), Clarissa atuou como assistente de direção e co-roteirista. Em “Natureza Morta”, ela assume a direção e o roteiro em uma adaptação do romance “A Carne”, do escritor mineiro Júlio Ribeiro (1845-1890), natural de Sabará. “Natureza Morta” narra a história de Lenita, jovem criada pelo pai, que desconsiderava homens de igual capacidade intelectual, enfrentando conflitos internos por causa das convenções sociais. Sua opinião está prestes a mudar.

Segundo Clarissa Moebus, adaptar a obra trouxe desafios importantes. “O maior desafio foi dar continuidade a uma trilogia iniciada por outro diretor, Ricardo Miranda, mantendo a proposta narrativa, mas trazendo um novo olhar para as cenas”, explica a diretora. Ela destaca ainda que o filme aposta em diferentes perspectivas narrativas: “O filme não tem apenas um narrador, é como se fosse mesmo um contar de histórias, foge do cinema tradicional.”, diz.

“Adaptar uma obra literária do século XIX para o cinema também é um processo ousado, porque toda adaptação transforma a história original. O cinema traduz o texto a partir da visão do realizador, e cada cineasta interpreta a obra de forma diferente. Assim, literatura e cinema se complementam em suas próprias linguagens”, acrescenta. 

“Apresentar “Natureza Morta” em Montes Claros, dentro do cineclube da Unimontes é uma forma de estimular a produção de outros filmes e aproximar o público regional do cinema independente brasileiro. Isso porque quando disponibilizamos o filme para que seja visto, principalmente pelos alunos de cinema, compartilhando um processo criativo e de produção, apresentamos o cinema independente como algo possível. Sabemos que não é fácil, o processo para conseguir financiamento é demorado, mas somos resilientes e a criação não pode parar. Portanto, é necessário conhecer o trabalho do outro, saber desses processos, pensando na possibilidade de num futuro próximo, porque não, realizar seus próprios filmes”, completa a diretora. 

A sessão é realizada pelo Cinemontes e pelo curso de Cinema da Unimontes, com apoio do Museu Regional do Norte de Minas, Cinema Comentado Cineclube, CineMaracas e Fulô Comunicação e Cultura. O Museu Regional está localizado na rua Coronel Celestino, 75, no Corredor Cultural, região central de Montes Claros.

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