
O Museu Regional do Norte de Minas recebe nesta terça-feira (26), uma sessão com a exibição do longa-metragem “Natureza Morta” (2020), dirigido e roteirizado por Clarissa Moebus Ramalho, professora de roteiro e oficina de audiovisual do curso de Cinema da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). A apresentação acontece às 19 horas, com entrada gratuita.
Com duração de 110 minutos, o filme é ambientado em 1888 e encerra a trilogia “Inquietante Estranheza”, iniciada em 2010 por Clarissa Moebus em parceria com o cineasta Ricardo Miranda (1950-2014), que também foi diretor da TV Brasil e professor da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro.
Nos primeiros filmes da trilogia, “Djalioh” e “Paixão e Virtude”, ambos inspirados em contos do escritor francês Gustave Flaubert (1821-1880), Clarissa atuou como assistente de direção e co-roteirista. Em “Natureza Morta”, ela assume a direção e o roteiro em uma adaptação do romance “A Carne”, do escritor mineiro Júlio Ribeiro (1845-1890), natural de Sabará. “Natureza Morta” narra a história de Lenita, jovem criada pelo pai, que desconsiderava homens de igual capacidade intelectual, enfrentando conflitos internos por causa das convenções sociais. Sua opinião está prestes a mudar.
Segundo Clarissa Moebus, adaptar a obra trouxe desafios importantes. “O maior desafio foi dar continuidade a uma trilogia iniciada por outro diretor, Ricardo Miranda, mantendo a proposta narrativa, mas trazendo um novo olhar para as cenas”, explica a diretora. Ela destaca ainda que o filme aposta em diferentes perspectivas narrativas: “O filme não tem apenas um narrador, é como se fosse mesmo um contar de histórias, foge do cinema tradicional.”, diz.
“Adaptar uma obra literária do século XIX para o cinema também é um processo ousado, porque toda adaptação transforma a história original. O cinema traduz o texto a partir da visão do realizador, e cada cineasta interpreta a obra de forma diferente. Assim, literatura e cinema se complementam em suas próprias linguagens”, acrescenta.
“Apresentar “Natureza Morta” em Montes Claros, dentro do cineclube da Unimontes é uma forma de estimular a produção de outros filmes e aproximar o público regional do cinema independente brasileiro. Isso porque quando disponibilizamos o filme para que seja visto, principalmente pelos alunos de cinema, compartilhando um processo criativo e de produção, apresentamos o cinema independente como algo possível. Sabemos que não é fácil, o processo para conseguir financiamento é demorado, mas somos resilientes e a criação não pode parar. Portanto, é necessário conhecer o trabalho do outro, saber desses processos, pensando na possibilidade de num futuro próximo, porque não, realizar seus próprios filmes”, completa a diretora.
A sessão é realizada pelo Cinemontes e pelo curso de Cinema da Unimontes, com apoio do Museu Regional do Norte de Minas, Cinema Comentado Cineclube, CineMaracas e Fulô Comunicação e Cultura. O Museu Regional está localizado na rua Coronel Celestino, 75, no Corredor Cultural, região central de Montes Claros.
