Enfrentar a vida em um país diferente, com outro idioma, clima nada semelhante ao da cidade natal, costumes e regras. Nada disso assustou o montes-clarense André Rabello que há quatro anos se mudou para a Alemanha em busca de um sonho. O cantor de ópera escolheu a Europa como o palco para mostrar todo o seu talento como barítono.

“A busca por aprimoramento técnico vocal e mais oportunidades de trabalho me levaram a vir para a Europa”, diz André, que reconhece que o mercado de trabalho para um cantor de ópera no Brasil é muito limitado.

A jornada tem sido bem-sucedida graças ao esforço, dedicação e planejamento do mineiro. Mas não foi nada fácil. O grande desafio do cantor foi chegar à Alemanha sem falar o idioma local. Em um primeiro momento, se comunicava em inglês, mas para ingressar na universidade e no mercado de trabalho foi preciso aprender o alemão.

“Tive que fazer um curso intensivo do idioma e aprender tudo do zero. Não obtive apoio de nenhuma organização. Me planejei sozinho financeiramente e busquei orientações com amigos que já moravam por aqui. As minhas superações e conquistas são as minhas maiores alegrias”, revela.
 
MESTRADO
O mineiro já morou em Leipzig, Weimar e atualmente está em Gera. Após dois meses morando na Alemanha, André realizou o teste para ingressar no mestrado em Ópera na Hochschule für Musik Franz Liszt, em Weimar, e obteve êxito. Nesse período cantou na ópera “A Flauta Mágica”, de Mozart, e “La Bohème”, de Puccini.

“Já no último semestre do mestrado realizei uma audição (teste) no Theatro Altenburg Gera e fui premiado com uma vaga para ingressar no Coro de Ópera deste teatro. Estreamos a ópera ‘Eugene Onegin’, de Tchaikovsky, e estávamos ensaiando a ópera ‘Der Wildschütz’, de Lortzing, quando iniciou-se a pandemia e todos os ensaios foram interrompidos”, diz o norte-mineiro.

André conta que durante a pandemia todos os teatros fecharam, as produções foram canceladas e não aconteceram mais audições (testes). Neste momento, segundo o cantor, a pandemia na Alemanha está controlada, a vida está voltando aos poucos à normalidade, permitindo inclusive que os teatros pudessem reabrir e retomar os ensaios para concertos “Open Air” de verão.
 
TERRA NATAL
André diz que sente falta da família, dos amigos, da hospitalidade do povo mineiro e, claro, da comida. Ele relembra com carinho a primeira pessoa que acreditou em seu talento. “O meu primeiro professor de canto, Normando Silva, foi quem me incentivou a estudar Canto no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes e, posteriormente, me integrou como solista em seus projetos”, conta.

Para quem tem o sonho de ingressar na música e, principalmente, atuar no exterior, André Rabello diz que é necessário fazer um bom planejamento para alcançar os objetivos. “Ser perseverante, disciplinado e focado. Por aqui a concorrência e exigência são bem maiores, mas também existem mais oportunidades”, avalia.

Com relação ao Brasil e sobre a possibilidade de retorno ao país, ele diz ter outros planos. “Não sabemos exatamente o que o futuro nos guarda, mas no momento não pretendo voltar a viver no Brasil. Agora, com emprego fixo, pretendo continuar morando por aqui e buscar novas oportunidades”.