Após estrear em Pirapora, cidade que inspira boa parte da narrativa, o montes-clarense Jean Mendonça lança nesta sexta-feira (7), no Rio de Janeiro, seu primeiro romance publicado, O Solo das Águas. O evento será realizado das 18h às 22h, no Bistrô e Livraria Autografia, no Centro da capital fluminense, reunindo sessão de autógrafos, exposição das ilustrações da obra, interpretação teatral de trechos do livro e apresentações musicais inspiradas na cultura mineira.
Publicado pela Editora Autografia, O Solo das Águas é definido pelo autor como um romance autoficcional. A obra acompanha o personagem “Homem-menino”, que retorna à cidade natal e, às margens do Rio São Francisco, revisita lembranças da infância, da família e da construção da própria identidade. Embora a narrativa seja ficcional, ela nasce de experiências reais vividas pelo escritor.
“Meu processo de escrita sempre parte de uma memória. Acredito que, no fundo, todo autor parte de algum acontecimento real para alcançar a imaginação e, a partir daí, provocar a criação artística”, afirma Jean Mendonça.
Nascido em Montes Claros, criado em Pirapora e radicado no Rio de Janeiro, o escritor conta que o livro foi construído ao longo de dois anos e surgiu de um processo de mergulho nas próprias lembranças. Segundo ele, a obra preserva a verdade dos sentimentos, ainda que recrie situações por meio da ficção.
“Para ser fiel às minhas memórias, recriando-as a partir de sentimentos e de circunstâncias reais da minha vida, foi preciso passar por um processo intenso. Não foi simples. Foi um mergulho profundo, em águas profundas. Mas, no fundo dessas águas, havia um solo. E é possível ficar de pé mesmo debaixo d'água. É dessa imagem que nasce o título do livro”, explica.
Mais do que cenário, o Rio São Francisco é um dos elementos centrais da narrativa. Para o autor, as águas representam o ambiente onde sua identidade foi construída e conduzem a travessia do protagonista.
“Ela representa o ambiente onde minha identidade foi construída. Ao longo da leitura, o leitor acompanha esse processo seguindo um fluxo semelhante ao das águas do São Francisco: um percurso marcado pela memória, pelas transformações e pela travessia da vida”.
A história acompanha também a trajetória do próprio escritor. Após crescer em Pirapora, Jean Mendonça viveu em Belo Horizonte antes de se estabelecer no Rio de Janeiro. No romance, porém, esse percurso acontece em sentido inverso: o Homem-menino retorna às origens para reconstruir as próprias memórias, em uma narrativa que entrelaça passado e presente.
O lançamento oficial da obra aconteceu no último fim de semana, a bordo do Vapor Benjamim Guimarães, um dos principais símbolos de Pirapora e também presente na narrativa. Agora, a obra chega ao Rio de Janeiro, cidade onde o autor vive atualmente.
A programação desta sexta-feira inclui sessão de autógrafos, interação com leitores, exposição das ilustrações produzidas por Vinícius Ribeiro, interpretação teatral de trechos do livro pelo ator e diretor Tiago Cavalcante e apresentação musical do trio formado por Márcia Guedes, Raquel Moreira Nascimento e Nick D'Paula. O repertório, inspirado nas raízes culturais mineiras, reúne canções de Milton Nascimento e Sérgio Pererê.
Para Jean Mendonça, o principal objetivo da obra é provocar no leitor a mesma transformação vivenciada durante o processo de escrita.
“Minha expectativa é que o leitor também se transforme, assim como eu me transformei durante o processo de escrita e continuo me transformando cada vez que releio a obra. Acredito na arte e na literatura como instrumentos capazes de provocar algum tipo de transformação na vida das pessoas”, finaliza.

