Pintura, bordado e instalações com tecido são as ferramentas que o artista Eduardo Fernandes tem usado para criar os trabalhos que estão, pela primeira vez, em exposição. A mostra “Corpo-sim, corpo-não” conta com a curadoria de Fernanda Xavier Maia.

“Há dois anos venho desenvolvendo essa pesquisa artística onde meu interesse perpassa o corpo, a espiritualidade que acontece através dele e a epifania, esses pequenos acessos, que nós humanos limitados, inesperadamente temos a algum mistério que se desvela. O que me interessa é o mistério, entender o que está além daquilo que percebemos corriqueiramente”, diz.

Eduardo Fernandes nasceu e reside em Salinas, no Norte de Minas. É lá que tem vivido momentos bastante distintos nesses dias de isolamento: alguns mais recluso, em que produziu bastante, totalmente imerso na produção artística; e outros em que olhou mais para o mundo, o caos. Nesses, a ansiedade tomou conta e o artista então não conseguiu produzir nada. Mas acredita que há tempo para tudo, então tem buscado estar no seu centro para conseguir fazer nascer trabalhos que de alguma forma causem ao menos um lampejo de acalanto. 

“Eu, no alto dos meus privilégios, acredito que aprender com as adversidades é a sacada. Acredito ainda que, ao passar por situações como essa, inevitavelmente saímos mudados. Com isso, tenho aprendido que é ilusão esse controle sobre a vida, mas que devo direcionar meu olhar para onde há a possibilidade de mudança, principalmente para dentro de mim mesmo”.

Os trabalhos de Eduardo têm o intuito de retratar a topografia de corpos e figuras abstratas que representem essa busca por se entender um corpo com potencialidades para além do corpo. “A Fernanda fez um recorte de trabalhos com uma aura mais noturna e introspectiva, criando uma narrativa que diz respeito a uma busca interior”, revela o artista.

Sobre o atual cenário cultural, Eduardo diz ser um desafio gigantesco. “É um cenário em que apenas o que tem um bom retorno financeiro é valorizado pelos que detêm o ‘poder’. Fica bastante complexo falar sobre arte, cultura e valores imateriais, sobretudo para as artes visuais, que é um meio bastante elitista, onde não acontece a circulação dos trabalhos, como na música e no cinema, por exemplo”, avalia.

As artes visuais, de acordo com Eduardo, acabam virando produto de consumo para colecionadores. “Mas acredito que cultura e a arte são inerentes à vida”, diz.

Para acompanhar o artista, basta segui-lo em suas redes sociais: @eduardomesmo.