
A partir desta quinta-feira (22), a Academia Montesclarense de Letras tem nova direção. A nova presidente é a médica, escritora e jornalista Mara Yanmar Narciso Cruz, que sucede o escritor Edson Andrade. Mara foi eleita por aclamação em outubro de 2025 para o biênio 2026–2027. Narciso é mãe de Fernando Yanmar, também escritor. A posse da diretoria acontece nesta quinta, no Centro Cultural Hermes de Paula, às 20h.
Nascida e residente em Montes Claros, Mara Narciso, que integra ainda a Academia Feminina de Letras de Montes Claros (AFL) e o Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC), assume a presidência da Academia Montesclarense no ano em que a instituição completa 60 anos de existência. A escritora comenta que as academias têm a responsabilidade de preservar a memória cultural do seu povo, de zelar pela língua e fazer com que se mantenha a uniformidade dessa língua, ainda que haja muitos regionalismos e vícios de linguagem. “A língua em si é de uma estrutura só, e as academias de letras zelam por isso”.
Assumir a presidência, segundo Mara, é um desafio, considerando o momento de insegurança política ao nível mundial, entre outros fatores. “A gente já enfrenta um movimento oposto à leitura de livros, que é o vício no celular, o vício nas redes sociais, então, estimular a literatura, a leitura, ler livros, é sempre um grande desafio, e nesse momento específico é um desafio ainda maior que nós pretendemos vencer, convencendo os jovens de que saber, por meio da leitura de bons livros, aprofunda em temas e torna o ser muito mais seguro de si, para qualquer debate, para fazer os enfrentamentos da vida, do dia a dia”, ressalta.
Em relação às outras instituições que integra, Mara diz serem semelhantes, pois todas elas primam pela literatura e bela escrita, mas cada uma tem as suas particularidades. O IHGMC cuida principalmente da tradição, memória, cultura, história e geografia, que é o que indica onde está inserida essa história. A Academia Feminina é similar à Academia Montesclarense, porém, foca em estimular a produção literária feminina, mas sem segregar. “É o local para mulheres escreverem, com um sentido mais amplo. Uma ampara a outra, estimula e faz com que a outra produza mais”, explica. Nesse sentido, Mara ressalta que muita gente que estava com produção de gaveta está colocando na praça e promovendo modificações no seu entorno. “É lugar comum, mas, juntas, a gente se sente mais forte. O ambiente feminino é mais acolhedor, mais afável”, afirma.
Já a Academia Montesclarense, conforme a presidente, privilegia a literatura em si e faz valer o que as outras pessoas que os antecederam já fizeram, continuando a produção no mesmo nível. “A Academia é quem distribui o conhecimento e precisa aglutinar os intelectuais, a erudição, estimular o saber e sair um pouco do conforto de ser de elite, de ser distanciada da população, de ser hermética e incompreensível. Está aberta a todo tipo de pensamento, a todo leque de maneiras de pensar todas as profissões”, declara.
O escritor e historiador Wanderlino Arruda, ex-presidente e presidente de honra da academia, destaca: “tenho certeza de que vão ser dois anos de muita paz e harmonia, todos os momentos favoráveis à cultura. Mara é uma intelectual de toda capacidade, sempre afeita aos estudos. Pessoa de todo respeito e admiração”, diz. Além disso, complementa Wanderlino, ela tem grande capacidade associativa, tem tudo para unir os acadêmicos em todos os sentidos. Iremos contar com reuniões mensais entusiasmadas e produtivas”, conclui.
ENTRADA
Para ingressar na Academia, que tem 40 cadeiras, o escritor com livro publicado, físico ou nas redes, pode se aproximar de dois membros da instituição, fazer um requerimento pleiteando a vaga e entregar aos dois membros efetivos que estejam em dia com as obrigações da casa, a sua carta de apresentação.Com essa indicação, o candidato apresenta o material literário que será analisado pela comissão de admissão. A partir da aprovação, cabe à assembleia votar. Se houver uma única vaga e um único candidato, a aprovação é por aclamação. Se houver mais candidatos, há uma votação e fila de espera. De acordo com a diretoria, no momento existem três vagas e uma fila de espera de oito pessoas.
