Karen Nascimento nasceu em São Paulo e reside em Montes Claros há 20 anos. A montes-clarense de coração tem relação com a música desde a infância. A mãe dizia que ela gostava de cantar e que na época da pré-escola, lá pelos seus quatro anos, a professora enviou um relatório, aqueles que eram enviados junto com o boletim falando sobre a aprendizagem da criança, e lá dizia o seguinte: “gosta muito de cantar, mas às vezes gosta de observar as outras crianças cantarem” (risos).

O gosto virou paixão e, nesta sexta-feira, a artista faz o lançamento do single “Santos Orixás” em todas as plataformas de streaming. É com ela nosso bate-papo de hoje.
 
Fale um pouco sobre o EP de estreia... 
O single traz em seu âmago divindades que são representadas pela natureza, uma carta de amor e proteção. A canção foi composta no início da pandemia de Covid-19, inspirada na partida de pessoas queridas que tiveram que retornar para sua terra natal devido a inúmeros fatores dentre eles o medo da pandemia e a vontade de estar perto de seus familiares. Do toque do atabaque aos sons orgânicos captados da sacada da varanda, a música busca aproximar os ouvintes há uma experiência de “elevação espiritual”. Com elementos da paisagem sonora a faixa traz na íntegra sons dos pássaros como material orgânico/sonoro, “todas as manhãs acordo com o cantar dos pássaros, eles me dão o primeiro bom dia”, em uma canção que busca mesclar referências da MPB e experimental orgânico. 
 
E as parcerias?
A produção musical conta com a parceria do Rafael Carneiro, que possibilitou uma fusão de linguagens musicais, unindo seu conhecimento e experiência das suas vivências musicais com sensibilidade e olhar atento para os sons orgânicos de Karen, para juntos construir através dos sons um mantra. “Santos Orixás” traz a participação do percussionista Thiago Rapadura, professor de capoeira e notável tocador de atabaque, que acrescentou na faixa o timbre desse instrumento tão ancestral e sagrado, um som condutor dos orixás com a leveza e o canto da artista. A arte da capa ficou por conta da artista visual Karla Ruas, que trouxe como criação a imagem do pássaro que se conecta com a música, com o fluido, o celeste, com o céu e a terra de Oxumaré e com o ar de Oyá, orixá que se relaciona com esse elemento. A fotografia por Izabel Novais.
 
Quando cantou pela primeira vez?
Profissionalmente, foi em 2013, quando tive a oportunidade no período da graduação em música de participar de um projeto de extensão da universidade; participei do grupo Acadêmicos do Samba, coordenado pelo músico e compositor montes-clarense Jukita Queiroz. Integrei o grupo entre os anos de 2011 a 2013, atuando como cantora. Cantar no grupo foi extremamente importante para minha trajetória como musicista. Nesse período aprendi muito, conheci um vasto repertório de cantores consagrados do samba como: Cartola, Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Dorival Caymmi, Zé Kety, Jorge Bem Jor, Chico Buarque e os Novos Baianos, dentre outros.
 
Você acumulou durante a carreira muitos trabalhos de destaque...
Como eu disse, a participação no grupo Acadêmicos do Samba, que resultou em 2013 a gravação do Disco “Nós, Noel e o Samba” em comemoração aos 100 anos do compositor Noel Rosa. Além dessas experiências participo de um outro projeto musical que é a banda Fulô do Sertão, composta por quatro musicistas, cantoras e instrumentistas, que levam arranjos musicais do forró pé de serra e da música do domínio público mineira e brasileira. A banda já foi contemplada em dois festivais como 18° Encontro Cultural de Milho Verde, em 2018 e o 19° Encontro Cultural de Milho Verde, em 2019. Também foi contemplada no Edital Intervalo Cultural da UFMG, em 2018. 

No trabalho autoral como cantora e compositora, atuei e atuo em diversos espaços artísticos como bares, casas de cultura, entre outros.
 
E como estão sendo os dias de isolamento social. O que tem feito?
Em meio ao caos da pandemia muitos artistas se viram prejudicados já que uma grande gama desses profissionais que atuam no setor cultural com realização de shows, eventos musicais, festas dentre outros, encontram-se com seus lucros afetados, já que tiveram que parar de exercer suas atividades presenciais. Muitos desses artistas inclusive eu, aproveitei o crescente uso da internet para realização de lives e outros projetos musicais, alcançando público expansivo. A internet é uma importante ferramenta para difusão e divulgação do trabalho de um artista, então ela enquanto concepção só tem a favorecer. Tenho concentrado também minhas energias e divido esse tempo com os estudos do mestrado em Música pela UFMG e o trabalho como professora, vim me descobrindo e arriscando como compositora, então é algo experimental e bem intuitivo, as vezes surge a letra primeiro, outras vezes a melodia. E desses primeiros escritos já saíram algumas músicas que vão integrar meu primeiro EP solo autoral. 
 
Para acompanhar o trabalho da artista
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Canal do Youtube, como Karen Nascimento
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Spotify como Karen Nascimento
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