Jorge Soares é um pintor clássico com uma pitada de surrealismo. Ama os detalhes, gosta de retratar a história e seus personagens, a cultura ao redor do mundo e o ser humano como ponto central.

Atualmente, tem se dedicado a um projeto que conta um pouco da história de Salinas, cidade natal do artista. Mostra os muitos personagens históricos responsáveis pelo engrandecimento da cultura, progresso e economia da cidade e do Norte de Minas. 

Salinas também é conhecida pela qualidade do requeijão, das famosas cachaças, algumas marcas de renome nacional e internacional. 

A mostra de pintura em acrílica ainda não tem data para acontecer, mas tão logo a pandemia possa ser controlada, o público voltará a se reunir para compartilhar da experiência criativa de Jorge Soares. Afinal, a arte sempre esteve presente na vida dele, através dos múltiplos talentos da família. Os irmãos tinham uma banda musical, sendo um deles artista plástico e, a mãe, artesã.

“Aos 10 anos comecei a desenhar e, a partir de então, a arte foi parte integrante da minha vida, através do teatro e da pintura”, conta. Em 1986, quando chegou a Montes Claros, abriu uma empresa de propaganda, onde atuava com criação, fabricação e montagem de outdoors e placas luminosas. A arte foi fundamental para o sucesso da empresa.

Além da arte, o esporte sempre foi parte da sua vida. Jorge praticou vários esportes como a canoagem, corrida, mountain bike, espeleologia, e o voo livre durante 20 anos. Mas, em 2013, durante um campeonato de parapente em Jaraguá (GO), se acidentou e ficou paraplégico, o que mudou definitivamente os rumos de sua vida.

O momento cultural não tem sido fácil para os artistas, devido à pandemia, mas Jorge tem enfrentado os desafios com muita fé, os cuidados necessários que a ciência recomenda e, sobretudo, criatividade.

“O isolamento é um desafio constante, pois influencia todo o mundo, gerando dificuldades difíceis de serem superadas por todos. Mas, nesse momento, o esporte tem sido um diferencial. A oportunidade de estar em contato com a natureza e amigos quebra esse ciclo de distanciamento social”, conta ele, que apesar da mobilidade reduzida pratica o paraciclismo, com uma e-handbike, um veículo com assistência elétrica que lhe permite voltar à prática do esporte.
 
EXPOSIÇÕES
Em 2018, após o acidente, Jorge expôs na Casa de Cultura Marcia Prates um trabalho de grafite que foi muito bem recebido pelo público. Participou de duas exposições coletivas com parceiros da Associação dos Artistas Plásticos de Montes Claros, e, por fim, fechou o ano passado com a exposição Arte e Arteiros na Fenics. 

“Esse ano participei da mostra dos 40 anos do Centro Cultural Hermes de Paula, e tudo isso foi muito enriquecedor, tanto pela divulgação do meu trabalho quanto pela convivência constante com artistas de peso”, diz.