As Festas de Agosto, em Montes Claros, são palco para a expressão de uma tradição mineira que pode se tornar patrimônio cultural imaterial do Estado: os Reinados e Congados. 

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) já está realizando pesquisas para que essas riquezas culturais tenham sua importância reconhecida, pois são consideradas bem cultural ímpar da identidade e da cultura dos mineiros. A ação também tem como objetivo atender o desejo das comunidades congadeiras, prefeituras, pesquisadores e associação da sociedade civil.

A pesquisa começa pelo cadastramento, que deve ser feito por meio de um formulário que está disponível desde ontem no site do Iepha (www.iepha.mg.gov.br). O cadastro permanecerá constantemente aberto, mas, para fins de pontuação no Programa ICMS Patrimônio Cultural, serão considerados os formulários preenchidos pela prefeitura até 31/12/2021.

“Identificar e mapear os grupos de Congados e Reinados de Minas Gerais é, sobretudo, uma forma de manter vivo esse valioso patrimônio cultural imaterial que o Estado guarda. A ação vai nos permitir preservar e difundir histórias, memórias, saberes tradicionais e rituais que são transmitidos de geração em geração e tornam a cultura mineira tão diversa”, ressalta o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas Oliveira.
 
FORMULÁRIO
A produção do formulário, elaborado pela equipe técnica do Iepha, contou com a participação de representantes de Congados e Reinados de diferentes cidades mineiras. Participaram capitães de guardas, pesquisadores referência no tema e as professoras da UFMG Glaura Lucas e Lêda Maria Martins, por meio de reuniões e encontros virtuais.

O cadastro pretende identificar a localização, formas de organização, diversidade de cargos e funções, indumentárias, instrumentos musicais, calendários festivos, dentre outros, além de levantar informações sobre dificuldades relacionadas à manutenção dos grupos. 
 
TRADIÇÃO
O Reinado ou Congado é uma manifestação religiosa afro-brasileira que teve início no século 17. Tem como origem os ritos de coroação dos reis negros e africanos, e foi ressignificada no Brasil. A celebração, desde o princípio, esteve vinculada aos festejos das irmandades religiosas, principalmente negras, como as de Nossa Senhora do Rosário.

A manifestação cultural está tradicionalmente enraizada na cultura mineira e possui uma diversidade de matrizes, denominação de grupos, formas de expressão e ritos que estão no processo de reconhecimento como patrimônio cultural imaterial de Minas Gerais. 

Em Montes Claros, durante as Festas de Agosto, acontecem o levantamento de mastros, missas e bênçãos. Os grupos de Catopês ou Congado, os Marujos ou Marujada e os Caboclinhos ou Caboclada, bem como os Reinados de Nossa Senhora do Rosário (na cor azul), de São Benedito (na cor rosa) e o Império do Divino Espírito Santo (na cor vermelha), participam ativamente da festa. 

Eles desfilam pela cidade, em cortejos com os Reis e Rainhas, o Imperador e a Imperatriz, filhos das Famílias Festeiras, além do longo cortejo de príncipes e princesas.

*Com Agência Minas