A arte que interage com a cidade, com o espaço urbano, chega agora ao Museu Regional do Norte de Minas (MRNM). A exposição “Graffiti: Cores Urbanas” é uma das atrações virtuais do museu e vai ganhar, em breve, um catálogo artístico, que trará a trajetória dos artistas participantes e a celebração do surgimento do graffiti e a história dessa arte até os dias atuais em Montes Claros.

A exposição é um projeto realizado através do incentivo da Lei Federal Aldir Blanc e financiamento aprovado em seleção da Secretaria Municipal de Cultura. Os proponentes e organizadores do evento são Randall de Sá e Léo Caxeta, do Caxeta Club. 

O projeto tem como princípio o fomento e valorização dos grafiteiros e da manifestação do graffiti ao longo das décadas em Montes Claros. Desta forma, foi dividido em três ações: a primeira foi a realização dos graffitis, ação promovida nos dias 6 e 7 de junho no Posto de Saúde do Major Prates.

A segunda ação está ocorrendo com a exposição virtual no museu, sob a curadoria da historiadora da instituição, Karine Dias, sob supervisão do diretor do museu, professor José Roberto Lopes de Sales. Os trabalhos podem ser vistos nas redes sociais do MRNM até 30 de junho.

A última ação deste projeto ocorrerá com o lançamento de um catálogo artístico, que abordará a trajetória dos artistas e dessa arte de rua em Montes Claros.

Para Karine Dias, o grafite, como qualquer outro tipo de intervenção, é importante para a vida das cidades, pois são benéficos para a democratização do acesso à arte. “Essa arte interage diretamente com a paisagem urbana e na construção de identidades. Dessa forma, o MRNM, ao promover a arte do grafite através da exposição virtual, promove também a importância dele na paisagem urbana, como também a necessidade de sua inserção em espaços de instituições culturais”, avalia.

GRAFITEIROS 
Além de Randall, participam da exposição mais oito artistas que apresentam estilos próprios e diferenciados, mesclando referências às vanguardas e ao universo urbano.

O interesse de Randall pela arte começou por meio da produção de desenhos animados, na reprodução dos personagens do Looney Tunes. Na cena urbana, Randall principiou no pixo nos anos 2000 a partir da prática dos esportes radicais, como o patins e o skate.

“O graffiti surgiu por acaso, ao vê-los nos grandes centros urbanos e logo após em revistas de rap e skate. Comecei no graffiti como um ‘Writer’, que sempre buscou explorar as formas com características de arredondamento, suavidade e continuidade das linhas. Minhas influências vão do surrealismo alemão a partir de 1910, o expressionismo da década de 1930 e o neoexpressionismo praticado nos EUA até os graffitis de Binho Ribeiro, Crânio e Chivitz”, conta.

Arte redesenhada durante a pandemia
Para Randall, a pandemia afetou drasticamente a sua relação no meio social e isto o fez refletir e se adequar a esta nova realidade. 

“Como artista visual, este momento fez com que as questões no âmbito profissional fossem repensadas. No início da pandemia imaginei que fosse ficar impossibilitado de produzir, participar de eventos, publicar ou expor. Todavia, pude participar de várias atividades, ser agraciado através de muito estudo e esforço pessoal na aprovação de bolsas de incentivo cultural, como a lei federal Aldir Blanc no âmbito municipal e estadual. Isto me ajudou a manter a minha carreira artística ativa”, celebra.

Para acompanhar o trabalho de Randall, basta segui-lo no Instagram @randalldesa.

A exposição pode ser visitada pelas redes sociais do museu: Facebook (/museuregionaldonortedeminas) e Instagram (@museuregionalnm).