Com a pandemia, as salas de cinema estão fechadas, teatro e shows foram cancelados. As ruas não ganharão as tradicionais Festas de Agosto e Festival Folclórico que dão o colorido especial nesta época do ano. A pandemia afetou de forma quase irreversível as atividades do setor de shows, não apenas em Montes Claros, mas mundo afora. Pensando nisso e sabendo da relevância do consumo de cultura para o indivíduo em isolamento, o Centro Universitário Funorte realizará o primeiro festival “Voz de Minas”. Para participar do concurso é preciso ter 18 anos completos, ler o regulamento do festival, concordar com as regras e enviar um vídeo para o e-mail raquelmunizoficial@gmail.com até 16 de agosto.

Um dos convidados para compor a bancada de jurados do concurso é o músico montes-clarense Marcionilio Martins Rocha Filho, conhecido como Nillo Rocha. Ele também dará auxílio nas audições, avaliações e apresentações dos inscritos. Além do acordeon, o músico toca violão, guitarra, baixo e piano. Neste ano, Nillo celebra 24 anos de carreira.

É com ele nosso bate-papo deste sábado.

Como entrou no mundo da música?
Iniciei o estudo formal na música em 2007, com 25 anos de idade. Porém, já vinha com uma bagagem empírica de atuar profissionalmente como autodidata, o que facilitou meu aperfeiçoamento teórico e técnico. Graduei em Artes/Música pela Unimontes em 2010. Também sou formado no curso Técnico em Piano Erudito pelo Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes (Celf). Em 2014 fiz uma licenciatura em Música pela Unis. Atualmente, atuo como músico profissional e professor de acordeon e teclado pelo Celf.
 
E como foi construída sua história com o acordeon?
Comecei na música aos 6 anos de idade tocando violão. Porém, meu sonho já era a sanfona, mas devido ao alto preço desse instrumento, a minha mãe me deu o violão em vez da sanfona. Mesmo sem ter o instrumento próprio, através do contato com a sanfona de um amigo, fui dando meus primeiros passos e tocando as primeiras músicas, com destaque para “Asa Branca”, do Luiz Gonzaga. No meu retorno a Montes Claros, atuei como músico da noite, acompanhando diversos artistas e fazendo parte de vários grupos musicais. A minha história com a sanfona se consolidou em 2004, quando adquiri meu primeiro acordeon. De lá para cá, nunca deixei de tocar, estudar e praticar.
 
Como tem lidado com a quarentena? 
A quarentena está sendo um momento de reaprendizado. Estou atuando como professor através de ferramentas digitais e de aulas on-line. Mas percebo que, para o ensino musical, que exige resultado prático, não é a mesma coisa. Música se trata de percepção visual, auditiva e tátil, e presencialmente é mais fácil desenvolver estas habilidades no aluno do que via vídeo. E no lado performático, tenho dado mais atenção às plataformas digitais, postando vídeos no YouTube. Neste momento estou tendo a honra de receber o prêmio Prata do YouTube, por ter ultrapassado 100 mil inscritos e mais de 23 milhões de visualizações no meu canal “Nillo Rocha Sanfoneiro Oficial”. Talvez eu seja o primeiro instrumentista do Norte de Minas a receber este prêmio.

Ao longo da carreira, você acompanhou várias duplas famosas, lançou DVD e participou de diversos programas. Fale sobre isso. 
Sim, tenho um DVD solo – “Bailão do Nillo Rocha” –, outro pelo Trio Coração de Minas e atualmente lancei um DVD solo e autoral de Marchas Juninas (Arrasta-pé). Acompanhei diversas duplas e artistas regionais do Norte de Minas e também nacionais, como João Mineiro e Mariano, Durval e Davi e diversas gravações com duplas como Mato Grosso e Mathias, Felipe e Falcão, Alan e Aladim, Teodoro e Sampaio, Ataíde e Alexandre e o grande cantor Juliano Cezar (in memorian). Antes da pandemia, cheguei a tocar em diversos estados brasileiros: além de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Espírito Santo e Goiás.
 
Quais os próximos desafios?
Continuar gravando DVDs, clipes, vídeos, transmitindo o conhecimento musical através da docência e retornar aos grandes espetáculos, quando passar esta pandemia.
 
O que a pandemia tem lhe ensinado?
A ser mais paciente, empático e resiliente.
 
Como foi o convite para participar do Voz de Minas? Qual é a importância desse festival?
Para mim está sendo uma honra e satisfação participar deste importante festival que volta a colocar Montes Claros no circuito dos grandes festivais de música, já que é conhecida como “cidade da arte e da cultura”. Só tenho a parabenizar e agradecer os idealizadores por esta iniciativa de dar oportunidade aos artistas mineiros. Aproveito a oportunidade para aconselhar os participantes a buscarem sempre o seu objetivo com muito foco, e que o “Voz de Minas” sirva de aprendizado e bagagem para a vida toda.