Alto Belo, “a capital da música raiz”, é o destino certo de férias da professora montes-clarense Maria Fernanda Azevedo Santos Alves, da disciplina Hematologia/Hemoterapia do curso de Medicina da Funorte. 

Ponto de encontros familiares, palco de lembranças musicais e muitas alegrias, Alto Belo representa, até hoje, refúgio e aconchego para a médica. 

Os primeiros contatos com a música aconteceram na casa onde ela viveu na infância, em Montes Claros. Lá, Fernanda teve contato com muitos artistas regionais, compositores e instrumentistas. Era um local de ensaio da seresta, folia de reis, duplas sertanejas, emboladores e repentistas.

“Ali escutava álbuns do tio Téo Azevedo, músicas de seresta interpretadas por minha mãe Beatriz Azevedo e gostava de cantá-las. Diziam que eu era muito afinada e logo me inscreveram no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandes (CELF) ”, conta.

Fernanda estudou percepção, violão, teclado e canto coral. Logo ela tomou gosto pela música e se aventurou em alguns trabalhos de composição e interpretação produzidos por Téo Azevedo e lançados em alguns de seus álbuns.

“Tinha um sonho na mocidade: gravar um CD, com temas jovens da época. Aos 15 anos, com uma produção independente, fui para São Paulo e coloquei a voz em alguns temas musicais. Foi um trabalho recreativo e motivo de muita satisfação pessoal”, revela.
 
MEDICINA
Mas Fernanda tinha outra paixão, a medicina. Logo que finalizou o 2º grau, foi para Belo Horizonte fazer curso pré-vestibular. Passou na Unimontes e abraçou uma carreira com muitos desafios, exigências e entrega.

“De fato, me afastei um pouco da música durante os estudos. Mas sempre ressoava dentro de mim uma frase do tio Téo: ‘ser médica é muito bom, mas ser uma doutora que canta é muito melhor’”, dizia ele.

Finalizados o curso de medicina e a residência médica, ela se casou com Luiz Ricardo, formado em tecnologia de informática, mas que também trazia a música no coração.

“Formamos uma dupla, montamos um estúdio em casa, fizemos vários repertórios e arranjos juntos. Ele no violão e eu na voz, costumamos nos apresentar em festas e reuniões da família, momentos de resgate da música em meu cotidiano”, diz.

Fernanda diz que ainda não cantou para os pacientes, mas que existe uma linha de cuidado médico pela qual se interessa muito. “É o cuidado paliativo, que reinventa a arte do cuidar, agrega novas propostas, um novo olhar, um futuro na medicina, quem sabe...”, conta.

Na playlist particular, ela pôs vários tipos de música: MPB, regional, rock, samba raiz e gospel. “Gosto da diversidade, da novidade, de extrair o melhor de cada estilo”, diz. 

Sobre a pandemia que transformou o mundo e trouxe desafios e aprendizados, ela argumenta: “Para além da questão técnica, lança a proposta de fortalecimento dos nossos vínculos e da valorização de nossa essência”. 
 
QUEM É FERNANDA
Graduada em medicina pela Unimontes, com residência em medicina de família e comunidade pelo Hospital Universitário Clemente de Faria, da Unimontes, e residência em clínica médica e também em hematologia/hemoterapia pelo hospital Felício Rocho, em BH.

Atua como hematologista clínica e oncologista no Norte de Minas. No Hospital Metropolitano Dr. Célio de Castro, em capital mineira, é plantonista clínica. 
Ainda leciona a disciplina hematologia/hemoterapia na Funorte.