Jerúsia Arruda


Repórter



Raridades. Essa é a palavra de ordem para quem tem mania de colecionar. E quando se coleciona algo que já não é mais produzido, a palavra tem um peso ainda maior.



Esse é o caso dos colecionadores de vinil que, de forma apaixonada, típica dos colecionadores, vivem à caça dos tesouros da música gravada nos velhos bolachões, que caíram no gosto do público desde sua criação, em 1948.



Para compartilhar a paixão, exibir, trocar ou comprar novas peças para a coleção, a cada dois meses, acontece, em Belo Horizonte, a Feira do Vinil e Cds Independentes, promovida pela Discoteca Pública.



O próximo encontro acontece no dia 8 de março, reunindo lojistas e colecionadores que expõem seu acervo para venda e troca.



Segundo o idealizador do projeto, o colecionador Edu Pampani, a feira é uma oportunidade de contato com discos especiais e boas música, além de aproximar o público da Discoteca Pública.



Edu explica que a Discoteca Pública foi criada em 2005, com o objetivo de promover o resgate da Música Popular Brasileira, através dos antigos discos de vinil.



- Sempre tive a curiosidade de saber quantos LP’s e compactos teriam sido gravados no Brasil desde a criação do vinil. Sei que essa é uma pergunta impossível de ser respondida, por isso, decidi reunir o maior número de discos em uma espécie de museu, onde as pessoas pudessem consultar o acervo e trocar informações. No início, tinha apenas uns mil discos, mas a meta é reunir pelo menos uns 40 mil, todos de MPB. O acervo ainda é novo, mas estamos caminhando para isso – conta o colecionador.



No acervo da Discoteca, Edu diz que tem discos dos movimentos musicais e culturais que mexeram com a estrutura sócio-política do Brasil, cada um à sua época, como Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, Clube da Esquina, Pop Rock da década de 1980, entre outros.



O colecionador diz que atualmente a Discoteca conta com 12 mil peças, algumas delas repetidas, que servem de fonte de pesquisa para estudantes de escolas públicas, além de receber muitos visitantes à procura de músicas perdidas



- Também temos uma site (www.discotecapublica.com.br), com o cadastro de colecionadores, músicos, Dj´s, audiófilos, saudosistas e interessados, onde fazemos leilões, compra e venda de discos, além de disponibilizar informações sobre o acervo para facilitar a pesquisa – completa.



Edu explica que a proposta da Discoteca é fazer com que as pessoas voltem a escutar, cuidar e preservar os antigos LP’s,  para que não se percam no tempo, preservando sua história.



- Ainda estamos no começo, faltam muitos exemplares ainda, mas é muito gratificante este processo de busca, essa satisfação que dá quando se pega um disco há anos procurado – comemora.



VINIL



Criado em 1948, o disco de vinil foi uma das principais mídias durante décadas, e acompanhou praticamente todos os grandes momentos da música mundial. Com a chegada do Cd em meados da década de 1980, foi gradativamente substituído, até deixar de ser produzido. Grande parte da música gravada no vinil foi remasterizada e gravada em Cd, mas, ainda hoje, muitas músicas só podem ser encontradas nos velhos bolachões vendidos em sebos ou com colecionadores.



- Durante a feira, além da troca, compra e venda dos discos, falamos sobre preservação do LP, já que muitos discos estão sendo jogados fora; também falamos sobre gravações, além de disponibilizar uma pequena biblioteca com livros, revistas, fotos e artigos de jornais sobre o assunto – explica Edu.



FEIRA



Para participar da feira, os interessados podem se inscrever até o dia 7 de março. Lojistas e colecionadores que quiserem expor o seu acervo para venda e troca pagam R$ 25,00 com direito a duas mesas. As visitas são gratuitas. A feira acontece no sábado, 8 de março, de 10h às 19h, na Discoteca Pública (Rua Machado, 207 – Floresta – Belo Horizonte). Informações e inscrições pelo telefone (31) 3036-2919.