
O Museu Regional do Norte de Minas vinculado à Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), recebe neste mês de junho – dedicado ao Orgulho LGBTQIA+, a terceira edição da exposição “TRANSEUNTES”, mostra que reúne obras de artistas trans e propõe ao público uma reflexão sobre identidade, memória, pertencimento e resistência. A visitação é gratuita de terça-feira aos sábados.
Com curadoria de Lucas Viggi, a exposição apresenta diferentes linguagens artísticas construídas a partir das vivências dos próprios artistas, transformando experiências pessoais em manifestações de arte, denúncia e representatividade. Entre os destaques da mostra está a instalação “InCIStências”, da artista plástica Carla Maria St Ar. A obra aborda a violência enfrentada diariamente pela população trans e questiona o apagamento dessas histórias pela sociedade.
Segundo Carla Maria, mulher trans, o trabalho nasceu da percepção de que existe uma tentativa constante de invisibilizar corpos e trajetórias trans. “Existe um processo de higienização dos corpos trans pela normativa cisgênera e heterossexual da sociedade. O corpo trans começa a ser tolerado em alguns espaços desde que atenda a determinados padrões – branco e esteticamente bonito. Ao mesmo tempo em que é importante mostrar pessoas trans ocupando espaços de trabalho e convivência, também precisamos mostrar a violência que nos atinge diariamente. Nossos corpos continuam sendo alvo dessa violência”, afirma.
A artista explica que a instalação contrapõe uma cena doméstica aparentemente comum à realidade dos casos de transfobia e outras formas de agressão enfrentadas pela população trans. “’InCIStências’ fala da nossa insistência em permanecer vivas, mas não da forma como a cisgeneridade espera. Sofremos violências todos os dias. Para sofrer transfobia, basta sair de casa. Muitas vezes não são agressões físicas, mas situações que nos fazem viver constantemente com medo”, relata.
Além da obra de Carla Maria, a exposição reúne o trabalho de Sasá Ferreira, que apresenta uma pesquisa sobre “São Marino”, figura simbolicamente reivindicada por parte da comunidade trans. A instalação reúne estandartes bordados, oração autoral e santinhos distribuídos ao público, relacionando espiritualidade, memória e resistência transmasculina. “Também precisamos mostrar que a cisgeneridade nos matam, que a violência que nós sofremos vem dessas pessoas. É importante mostrar que nossos corpos estão lá, sangrando, mutilados, que nossos corpos estão sendo expostos como troféu de fúria”, finaliza a artista.
Também integra a mostra a artista Astra Gab. Filpi, com a série “Estados de Permanência”, composta por pinturas inspiradas na arte visionária e na literatura fantástica. Produzidas com materiais como tinta acrílica, geotinta e babosa, as obras abordam processos de cura, imaginação e transformação.
SERVIÇO
As visitações são gratuitas, nos horários: terça a sexta-feira - das 8h às 18h, e aos sábados, de 8h até 12h, na sede do museu, localizada na rua Coronel Celestino, nº 75, no Centro Histórico de Montes Claros.
