
A quinta edição da exposição “Daqui por Diante”, projeto criado pela jornalista Felicidade Tupinambá em parceria com o designer Caico Siufi e a arquiteta Viviane Marques Terence, foi lançada sábado, 8 de agosto.
A iniciativa tem o intuito de reconhecer e preservar a memória de pessoas que são legado para a cultura e a identidade de Montes Claros. O projeto reúne 100 pessoas, das mais diversas áreas, artistas ou amadores, estreantes ou não, para realizarem intervenção artística em um objeto escolhido pela organização e que represente o homenageado. A intervenção deve ser inspirada na vida, na obra e na contribuição do homenageado. “O resultado é uma coleção de manifestações únicas, carregadas de sensibilidade, criatividade e pertencimento”, afirma Felicidade.
Este ano, a escolhida foi Maria José Colares de Araújo Moreira, a Zezé Colares, fundadora do grupo Folclórico Banzé, que completou 60 anos em 2026. “Percebemos que até agora só havíamos homenageado homens e estava na hora de homenagear uma mulher. O nome de Zezé Colares saiu muito naturalmente. E aconteceu da gente receber manifestação de pessoas que querem participar devido a ligação afetiva com ela. Esse ano, eu também vou fazer a intervenção”, disse Felicidade, que manteve relação de proximidade com a homenageada.
Zezé colares partiu em 2020, deixando a marca do Banzé registrada na memória das pessoas que participavam ou assistiam a evolução do grupo, além de rico acervo de figurino, instrumentos, registros de viagens, participações internacionais, menções e homenagens.
Jaqueline Pimenta de Carvalho, diretora artística do Grupo Banzé e guardiã da memória material e imaterial do grupo, junto com o filho Gustavo Colares, conta que Zezé criou-se em uma família em que as manifestações artísticas eram habituais. Com formação na área, começou a dar aulas de música e folclore no Conservatório de Música Lorenzo Fernandez. “Ela procurou incentivar os alunos, inseriu crianças e jovens e pesquisava as manifestações populares de fontes genuínas. O Banzé, trabalhou com dança, música e pesquisa”, declara Jaqueline. Para ela, a homenagem marca também o renascimento do grupo, que fez uma pausa necessária enquanto buscava espaço para abrigar o acervo do Museu do Folclore, situação que está próxima da finalização. “Concretizada essa etapa, vamos fazer também um chamamento e buscar as leis de incentivo. Vamos dar continuidade a essa história que ela iniciou, que revelou muita gente e levou o nome de Montes Claros mundo afora, chamando atenção para nosso folclore, para as Festas de Agosto e que foi inspiração para criação de outros grupos.”, disse.
Para Dario Colares Moreira, filho da homenageada, a essência do projeto é louvável sob todos os aspectos. “É um projeto espetacular, porque preserva a memória da sua gente, da sua terra e da sua história. É imprescindível preservar nossa cultura, nossos costumes e nossas raízes, deixando esse legado para as próximas gerações”, destacou.
O objeto escolhido nesta edição é um pandeiro, que foi entregue aos participantes durante o lançamento. “Ao ser convidado comecei a pesquisar sobre ela, que tem uma história muito interessante. É muito importante resgatar a memória de pessoas que foram e continuam sendo importantes para a nossa cultura”, disse Ton Coutinho, artista plástico que participa pela segunda vez da Exposição.
Os trabalhos são expostos durante uma semana no Montes Claros Shopping, quando podem ser vendidos. Parte do valor arrecadado fica com o artista e a outra parte é destinada a instituição filantrópica previamente escolhida.
- Também já foram homenageados, Elias Siuff, Konstantin Christoff, Guimarães Rosa e Ray Colares
- Outras informações no instagram da exposição: @daquipordiante
