A cidade de Francisco Sá celebrou 97 anos nesta terça-feira (8). Devido à pandemia pelo novo coronavírus, não foram realizadas as tradicionais festas de comemoração. Mas, para a data não passar em branco, foi realizada uma carreata batizada de “Tempo da Criação”. O cortejo, organizado pelo Rotary Club Francisco Sá -Norte, saiu da Vila Vieira, berço da cidade, e percorreu várias ruas, fazendo paradas estratégicas para a leitura de textos, retornando à Vila Vieira.

“Acreditamos que, com a realização deste evento, puxando pelo ‘fio da história e da memória’, possamos contribuir para o fortalecimento do sentimento de pertença, da sensibilização para valores como solidariedade e o estímulo à esperança, valores e sentimentos tão fragilizados neste momento de pandemia”, diz Teresinha Barbosa da Silva Magalhães, presidente do Rotary. 

O fio da história desenrolado pelo Rotary trouxe para a carreata, em forma de homenagem, o nome do ilustre filho da cidade, o professor e pesquisador Santos D’Ângelo Neto, que dedicou a vida a cuidar dos pássaros. Ele foi um pesquisador de âmbito nacional. Suas pesquisas como ornitólogo foram importantes para todo o mundo, especialmente sobre pássaros do Cerrado.

Ana Valda Vasconcelos, hoje residente em Montes Claros, foi a primeira vereadora na região e da cidade de Francisco Sá. Grande incentivadora da cultura local e regional, ela acredita que promover celebrações de datas importantes, mesmo durante uma crise de saúde mundial, é fundamental para não deixar morrer as tradições e cultura locais. 

“Durante toda a minha vida de trabalho em Francisco Sá, minha terra, me dediquei ao magistério e às atividades culturais. A cidade, nessa época, viveu momentos de cultura jamais vistos em toda a região. Hoje, residindo aqui em Montes Claros, jamais me descuido da minha cidade e do que se passa por lá. Feliz por saber que está em franco desenvolvimento, bem cuidada e uma bonita cidade. Tenho me ausentado de lá pelo que estamos vivendo. Cumprimento a cidade, seus habitantes e a administração municipal pelos seus 97 anos”, diz.

História da cidade
Segundo os historiadores, em 1704, o capitão Antônio Gonçalves Figueira, próspero proprietário de fazendas na região da Jaíba, Olhos D’Água e Montes Claros, tinha como intuito comercial ligar o rio Gorutuba ao Estado da Bahia. Então, organizou uma pequena expedição, com cerca de 20 trabalhadores, inclusive índios, e partiu em direção ao Nordeste.

Depois de alguns dias, essa expedição chegou a um lugar próximo à Serra do Catuni e, sendo tarde, o capitão resolveu ficar nesse local. A essa área ele deu a denominação de Cruz das Almas da Catinga do Rio Verde, em razão deste dia, que eles estavam acampados nesse local, ser o dia dedicado a finados. Então, ordenou aos companheiros que erguessem um cruzeiro. No momento em que estava sendo feita essa ação, ele profetizou que aquele local seria um município, uma cidade próspera, um lugarejo de pessoas boas, pessoas solidárias, e que a posição geográfica desse local era estratégica para o cultivo, a agricultura e para outras riquezas. O nome Francisco Sá veio posteriormente, uma homenagem ao engenheiro que ocupou cargos importantes do governo como ministro da Aviação.