As palavras ressaltadas pela montes-clarense Laura Tupinambá nesta pandemia são: reinventar, novo olhar e redescobrir. No caso da fotógrafa, a pandemia trouxe a descoberta, a invenção e o aprimoramento da prática. Daí, foi um pulo para empreender e valorizar ainda mais o trabalho que vinha desenvolvendo.

E um dos caminhos foi a fotografia sacra. A atividade exige conhecimentos dos ritos da Igreja, respeito por eles e uma sensibilidade aguçada para registrar os momentos de emoção que as cerimônias provocam.

As pessoas que contratam este serviço, segundo Laura, sempre relatam que passam os anos de seminário sonhando com os momentos do rito de ordenação. “Relatam ainda que é muito bom encontrar um fotógrafo ciente de todo rito para não perder nenhum daqueles momentos”, diz.

A descoberta dessa área da fotografia chegou aos poucos. É como se Laura fosse conduzida até ela. Em 2017, a fotógrafa, que morava no Rio, precisou retornar a Montes Claros. Com um bom portfólio e um Instagram com fotos que fazia nos trabalhos pela Cidade Maravilhosa, começou a ser procurada para fotografar festas (infantis e de adultos), eventos e ensaios, inclusive uma roda de choro. 

Neste mesmo período, Laura procurou pela Igreja católica para realizar alguns trabalhos voluntariamente. No Rio de Janeiro atuava como consagrada em uma comunidade ecumênica chamada Comunidade Bom Pastor, que fica na Paróquia Nossa Senhora de Copacabana.

“Através desta comunidade, tive a oportunidade de fotografar vários eventos da igreja, no Rio e em São Paulo, inclusive a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, que aconteceu no Rio”, lembra.

Por causa disso, o então pároco da Paróquia São Norberto, em Montes Claros, padre Davi, a designou para servir na Pastoral de Comunicação (Pascom), o que atendeu prontamente, juntando missão e paixão.

“Paralelamente a isso, comecei então a ser contratada pelos paroquianos e amigos para diversos trabalhos com a fotografia, como Ordenações Presbiteral, Primeiros Votos, Batizados e até casamento. E cada vez mais conhecia os ritos e os momentos marcantes e importantes de cada um destes eventos”, diz.
 
PANDEMIA
Com a agenda parada no período da pandemia, Laura voltou sua atenção novamente para o estudo da fotografia. Procurando por cursos interessantes para fazer neste período, se deparou com uma série de lives, promovida pelo professor, amigo e fotógrafo Renato Rocha Miranda. Ele convidou fotógrafos de diversos nichos para uma conversa sobre fotografia.

“Foi neste momento que me deparei com a entrevista de Tathiana Lopes, “fotógrafa sacramental” do Rio de Janeiro. Qual não foi minha surpresa ao saber que ela atuava e empreendia neste nicho. E eu, que nem sabia que este nicho existia, depois de ouvi-la falar, descobri o que nem sabia, mas procurava”, conta Laura.

O que ficou bem claro para Laura foi que este tipo de fotografia exige um respeito e uma reverência do fotógrafo pelo Sagrado.

“Você está lidando com a fé das pessoas e precisa praticamente ser ‘invisível’ para não interferir no ritual. Discrição, conhecimento do rito e respeito pelo Sagrado são essenciais para ser um bom fotógrafo sacro. E todo conhecimento da Liturgia adquirido nas formações da Comunidade Bom Pastor serviram bem para este propósito”, conta a profissional.

Laura procurou por um curso de referência nesta área e encontrou a “Sacerdos Photo”, uma empresa conhecida mundialmente por retratar detalhes dos rituais da Igreja católica.

O trabalho não parou por aí. Fez também, pela Arquidiocese, registro dos 900 anos da Ordem Premonstratense no mundo, 110 anos da Arquidiocese de Montes Claros, 50 Anos de Ordenação do Bispo Auxiliar de Montes Claros, Dom José Alberto Moura. Além de Ordenações Presbiterais, Primeiros Votos e diversas celebrações da Igreja.

Laura tem apresentado este trabalho no Instagram Traditio Photos – fotos da tradição (@traditiophotos).