O CD “Brilho de Saudade” já está disponível em todas as plataformas digitais. Lançado em 1997, pelo músico norte-mineiro Valmyr Oliveira, teve indicação para o Prêmio Sharp da música brasileira naquela ocasião. 

“Esse CD é um relançamento, e, por incrível que pareça, ele traz um frescor, como se tivesse sido feito ontem. É o meu primeiro trabalho solo, em que me proponho a divulgar e perpetuar as tradições folclóricas regionais do Norte de Minas, harmonizando-as aos mais diferentes estilos, e procurando expressar de forma autêntica as diversas manifestações da Música Popular Brasileira, diz Valmyr, que reside no Rio de Janeiro há 27 anos.

Valmyr iniciou seus estudos em música em 1972, no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez (Celf). Cursou Violão Popular com a professora Geni Rosa e fez curso técnico de Violão Clássico com os professores Mauro Necésio (in memorian) e Lindolfo Bicalho. 

O músico é bacharel em Violão Clássico, orientado pelo professor Leo Soares. Fez licenciatura em Música e pós-graduação em Educação Musical no Conservatório Brasileiro de Música. É mestre em Educação Musical pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), orientado pelo professor-doutor Marcos Vinício Nogueira.

“Tenho muito carinho por tudo que já fiz, desde quando dividi minha vida artística com a vida de educador. Vejo tudo como um grande aprendizado, que valeu e vale a pena. Tudo é fruto do que passei como músico, participando de diversos trabalhos, começando em Montes Claros, com o Grupo Tryuna, Tino Gomes e o Terno de São Benedito, Grupo Banzé, Grupo Instrumental Marina Silva, nascido no Celf, pelas mãos da maestrina e compositora Antonieta Silvério, que por muitos anos foi considerada como a orquestra de Montes Claros, produzindo trabalhos magníficos”, conta ele.

Já no Rio de Janeiro, onde vive atualmente, Valmyr Oliveira, participou de várias peças no teatro, como “A ver estrelas” e “Uma noite de Lua”, de autoria de João Falcão, como instrumentista; “Lisbela e o Prisioneiro”, dirigida por Guel Arraes, como arranjador; e do musical “Um lugar chamado Recanto”, escrito e dirigido por Fred Mayrink, como instrumentista. 

Em parceria com Gabriel Machado, compôs a trilha original da peça “Não se brinca com o amor”, de Alfred de Musset. Entre outros trabalhos, participou dos grupos Trio.Br, Seresta Carioca e Octeto Pixinguinha, quando, segundo conta, abraçou a ideia de tocar violão de sete cordas. 

Em 1996, ao lado dos violonistas Paulo Pedrassoli e Ricardo Filipo, fundou o Octeto Camerata de Violões, do qual ainda é produtor. 

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O que você ouvia na sua infância? 
Na minha infância o que mais me marcou são as músicas infantis de brincadeiras roda na rua, folias de reis, pastorinhas, adorava ver e ouvir os ensaios da banda de música local (Buenópolis), e de tabela ouvia também os discos de vinil de meu pai (músico trompetista nas horas vagas) tocando valsas e choros e ouvia tudo que tocava no radio mais frequentemente a chamada música caipira preponderante nos finais de tardes ou princípios das manhãs.

O que tocava na sua casa quando você era criança em Montes Claros
Apesar de não ter nascido em Montes Claros me mudei ainda criança onde fui conhecendo e aprendendo ouvir as tendências de tudo que se tocava naquela época tanto no rádio, quanto nos discos de vinil, fitas K7, visto que a televisão ainda era um aparelho pouco acessível. 

Quais são as primeiras referências que você tem de música?
Certo de que muitas fontes estilos e gêneros de músicas se fizeram presentes em diferentes etapas da minha vida marcando fortes influências, tenho comigo que as primeiras referências que tive, vieram do que ouvia na minha juventude tais como Beatles, Rock Progressivo, Tropicália, Bossa Nova, Clube da Esquina, Grupo Raízes, as manifestações folclóricas de Montes Claros, Serestas e a Música Clássica por fazer parte da minha formação como estudante de música. 

Quais são as melhores lembranças de Montes Claros?
A minha vida como músico foi totalmente iniciada em Montes Claros, e sendo assim posso tratar a música como o fio condutor de quase tudo que aconteceu comigo desde quando entrei no Conservatório de Música Lorenzo Fernandez como aluno, até o dia em que sai de lá como professor. Participei de vários Festivais da Música em Montes Claros o que era o maior barato, e daí vieram novas amizades, que em consequência abriu caminhos para que eu pudesse participar de diversas formações de grupos de música, sendo que tudo isso me traz as melhores lembranças desde ensaios, viagens, apresentações até as belas serenatas, ou momentos inesquecíveis onde reuníamos a turma para passar noites e noites cantando e tocando violão.  

E o Conservatório na sua vida? 
Entrei no Conservatório com 12 anos de idade pelas mãos da minha prima, a saudosa professora Geni Rosa, ela me deu uma bolsa de estudo. Naquela ocasião o Conservatório era ainda uma escola particular e funcionava em frente o antigo prédio da prefeitura na Avenida Cel Prates. 

Claro que abracei a oportunidade com unhas e dentes buscando crescer e aproveitar todas as oportunidades que por ventura viessem aparecer, pois nessa altura da minha vida apesar da pouca idade eu decidi que era ali que eu queria ficar. Tenho certeza que aprendi muito, cresci muito, e fiz grandes amigos que procuro conservar com carinho, e sou convicto que o Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez é uma pagina extremamente importante na vida pessoal e profissional.

E o Banzé? 
Participei como músico instrumentista e cantor do Grupo Folclórico Banzé, por 8 a 10 anos, apresentando em vários estados brasileiros e com muito orgulho fiz parte da primeira turma que viajou com grupo para o exterior, onde participamos do Festival Mundial de Folclore, na Bélgica e França, e no Internationale Volkust Festpiele na Áustria, em 1981. N segunda viagem internacional em 1984, apresentamos no International Folkfest of Tenessee, nos EUA, e na terceira viagem internacional em 1987, participamos do XXV Festival Internacional de Los Pirineos, realizado na Espanha e França. Foi um momento maravilhoso e de gratas lembranças na minha vida, além de ter sido um trabalho que trouxe muitas influências e contribuições para minha vida artística. 

Você reside há 27 anos no Rio de Janeiro...
Foi uma mudança total e inesperada de rumo na minha vida, mas abracei e fui embora, o lance era recomeçar e buscar novos rumos e ponto final. Para minha felicidade acabei tendo a oportunidade de voltar a trabalhar com D. Marina Lorenzo Fernandez que já tinha sido minha diretora no CELF, e desta feita passou a ser minha diretora no Conservatório Brasileiro de Música onde diante da oportunidade que ela me deu, passei a lecionar e pude dar continuidade a minha vida acadêmica como professor de música agora na perspectiva de cursos de bacharelados. Vieram novos conhecimentos novas relações de amizades que me fizeram aproximar de ambientes musicais que eu sempre admirei tais como o choro e o samba. Mantive meu foco na música erudita e no violão clássico, pois não passava pela minha cabeça a menor possibilidade de desprezar tudo que já havia aprendido neste sentido, e por isso busquei sempre me atualizar e na medida do possível aperfeiçoar. 

Você comemora em 2020, 60 anos de idade e 42 de carreira. Fale sobre os trabalhos que já lançou e que balanço faz de sua carreira.
Tenho muito carinho por tudo que já fiz desde quando dividi minha vida artística com a vida de educador, onde vejo tudo como um grande aprendizado que valeu e vale a pena. Tudo é fruto do que passei como músico participando de diversos trabalhos começando em Montes Claros com o Grupo Tryuna, Tino Gomes e o Terno de São Benedito, Grupo Banzé, Grupo Instrumental Marina Silva nascido no CELF pelas mãos da maestrina e compositora Antonieta Silvério e que por muitos anos foi considerada como a orquestra de Montes Claros produzindo trabalhos magníficos.

Já no Rio de Janeiro, no teatro, participei das peças A Ver Estrelas e Uma Noite de Lua, de autoria de João Falcão, como instrumentista; Lisbela e o Prisioneiro, dirigida por Guel Arraes, como arranjador; e do musical Um Lugar Chamado Recanto, escrito e dirigido por Fred Mayrink, como instrumentista. Compus, em parceria com Gabriel Machado, a trilha original da peça Não se brinca com o amor, autoria de Alfred de Musset. Dentre outros trabalhos, participei dos grupos, Trio.Br, Seresta Carioca e Octeto Pixinguinha momento em abracei a ideia de tocar violão de 7 cordas pra frente ao repertório destes grupos. Em 1996, ao lado dos violonistas Paulo Pedrassoli e Ricardo Filipo, fundamos o Octeto Camerata de Violões, sendo até hoje integrante e produtor do grupo. Além de ter participado de vários discos e CDS como compositor, instrumentista a cantor, tenho dois CDs solo: Brilho de Saudade (1996), que obteve indicação para o Prêmio Sharp, e Trejeito, (2013) em que vivenciei a experiência de cantar, compor, arranjar, produzir e dirigir todo trabalho.

 Ao todo são quantas composições gravadas? 
Dentre parcerias e composições só minhas até agora gravadas são 26.

Qual é a que você mais gosta?
Ouvi dizer certa vez, que a música pode ser boa ou ruim dependendo do momento e do contexto na qual esta inserida, será verdade? Músicas próprias trazem para o compositor um carinho e um sentimento todo especial por cada uma delas dependendo do momento e do contexto na qual esta inserida e por isso se torna muito difícil escolher a melhor, mas vou destacar aqui a música Catopelando que fiz em parceria com Georgino Junior (in memorian)  como a música que sempre me traz grande emoção a cada escuta, e que também vejo crescer popularmente em Montes Claros a cada ano durante as festas dos Catopês no mês de agosto.

Fale sobre seu CD “Brilho de Saudade”
Este CD é um relançamento, e por incrível que pareça ele traz um frescor como se tivesse sido feito ontem. É o meu primeiro trabalho solo onde proponho a divulgar e perpetuar as tradições folclóricas regionais do norte de Minas, harmonizando-as aos mais diferentes estilos, e procurando expressar de forma autêntica as diversas manifestações da Musica Popular Brasileira. Na produção deste CD, eu tive ao seu lado como arranjador, músico e produtor artístico o montes-clarense Yuri Popoff, além de participações de grandes músicos que atuam frequentemente com grandes nomes da música popular brasileira tais como Cristóvão Bastos, Pascoal Meirelles, Delia Fischer, Lula Galvão, Marcelo Salazar, Lena Horta, e os também montes-clarenses Marcelo Andrade e Joaquim de Paula. No repertório trago comigo compositores parceiros da terra, fruto de grandes convivências musicais nas esquinas e bares, nos palcos e estradas mundo a fora, são eles: Jorge Takahashi, Tico Lopes, Sergio Ferreira, José Lopes Godinho (in memorian), Tino Gomes e Ellen Parrela, além da bela canção Folia Divina de Yuri Popoff e Fernando Brant (in memorian).

Como está sendo a divulgação? 
O que me estimulou trazer este trabalho de volta são as possibilidades que as novas tecnologias proporcionam trazendo diversos recursos de projeção e disseminação de seu trabalho que vai além de que um contrato com uma gravadora. Sem falar nas ferramentas de divulgação que podem te colocar mais próximo de pessoas que você nem imaginaria que pudesse estar curtindo seu trabalho. 

Considerações finais
Atualmente tenho vivido mais intensamente minha a vida artística, pois já não me dedico tanto a vida acadêmica, e isso têm sido uma grande novidade pra mim estando repleto de novas energias e projetos. Dedico-me neste momento a um projeto pessoal revisitando minhas raízes e a cada dia tendo novas surpresas de boas novidades com perspectivas de bons resultados basta procurar por Valmyr de Oliveira nas plataformas (Youtube, Spotify, Deezer, Itunes, etc) e verão dois novos singles e um novo vídeo no ar. Espero estar sempre encontrando novos amigos e seguidores pelas estradas, palcos e plataformas digitais de streamings de músicas e vídeos, visto que a cada dia esta modalidade de comunicação está se tornando um dos caminhos evidentes que aproximam arte, artista e público.